sábado, maio 15, 2010

A saga do lançamento 4 - O sertão


Auditório lotado no Campus da UFRN, em Currais Novos.

E para encerrar a série sobre os lançamentos da biografia Cortez – A saga de um sonhador, aqui vai o post dedicado aos autógrafos e palestras realizados no campus da URFN, em Currais Novos, no Sítio Santa Rita, a uns 30 quilômetros da cidade e na Câmara Municipal do Município de Campo Redondo. As viagens só não foram melhores porque na sexta de manhã, quando já estávamos de malas prontas para pegar a estrada na direção de Currais Novos, Teresa precisou voltar às pressas para o Recife devido a uma emergência familiar. Restou a mim e a Cortez fazer o máximo para representá-la à altura.



No campus da UFRN, em Currais Novos, fomos recebidos com grande expectativa. Assim como no evento da mesma universidade, em Natal, tudo correu sob a organização da professora Maria das Graças Soares Rodrigues, que entrevistei em 2008, no começo das minhas pesquisas sobre Cortez. Graça providenciou um evento inesquecível em Currais Novos: fomos aguardados com banda de música...



...decoração e comidas típicas nordestinas...





...e emissoras de rádio e televisão.



Essa moçada bonita aí da foto, alunos do curso de Turismo da UFRN, ficou responsável pelo cerimonial do evento. Todos muito simpáticos e gentis.



Os estudantes prepararam até vídeo em homenagem ao editor, também agraciado com placas e outros mimos presenteados pelas autoridades locais. Não deu outra: Cortez ficou muito emocionado e embargou a voz umas cinco vezes quando foi agradecer as homenagens.



Quanto a mim, não embarguei a voz, mas precisei me segurar para não borrar a maquiagem. É que alguns integrantes de minha família, que moram em Japi, cidade distante uns 60 quilômetros de Currais Novos, fizeram uma linda surpresa e foram ao campus da UFRN conferir o evento. Estavam lá: tio Arnaldo (incrível personagem da história da minha vida, sobre o qual já falei aqui), meu primo Maciel, sua esposa Adriana e o filho deles, Antoniel. E ainda havia o querido amigo Gilberto Cardoso dos Santos, professor que conheci através de Maciel.



Em Campo Redondo, por sua vez, também houve banda de música (que esqueci de fotografar...), presença de autoridades, professores, alunos...



...e uma linda apresentação de sanfona, capitaneada por Zé Nilton, primo de Cortez, que, por sinal, tem uma cena de sua infância descrita na primeira parte do livro, assinada por Teresa Sales.



E eu precisaria de umas mil linhas pra descrever toda a gentileza dos familiares de Cortez que, por onde quer que passássemos nessa trajetória, nos recebiam com um amor e um carinho indescritíveis.



No mais, foi lindo fazer o lançamento e o bate-papo sobre biografias no Sítio Santa Rita, lugar onde Cortez passou a infância e adolescência.







Para muitos convidados, foi a única oportunidade, até o momento, de presentear um evento dessa natureza. Inesquecível! Confesso que já estou com saudades de tudo isso, mas, a bem da verdade, não terei muito tempo para a melancolia que poderia nascer desse sentimento. Isso porque a partir da próxima segunda-feira, dia 17, entro de cabeça (e com um atraso de cinco meses!!!), nas pesquisas e entrevistas que darão início ao meu próximo livro. Ou melhor: já comecei as pesquisas há quase dois anos (mas tudo muito devagar,juntando material aqui e ali, lendo um texto acolá, ampliando e corrigindo a redação do projeto, visitando e fotografando lugares). Mas, só agora, a maratona de entrevistas, novas pesquisas e leituras terá início pra valer.

Desejem-me sorte! E obrigada pela companhia na Saga de Cortez!

sexta-feira, maio 14, 2010

A Saga do lançamento 3 - Natal



No dia 06 de maio, a palestra e o evento de lançamento da biografia Cortez – A saga de um sonhador, aconteceram, respectivamente, na UFRN e na Livraria Potylivros, em Natal. A palestra e a sessão de autógrafos, que aconteceram à tarde, na universidade, sob a coordeanção da competente professora Maria das Graças Rodrigues Soares, que aparece na foto, de preto, à esquerda, foram ótimas.



Foi a primeira vez que fiz uma palestra na UFRN e, se depender de mim, pretendo repetir a dose sempre que for convidada!



Adorei esse contato mais estreito com o público acadêmico! Quem sabe eu não tomo gosto e não me lanço, qualquer dia desses, na aventura de dar aulas? Fiquei feliz da vida observando a empolgação de Nathália e Arthur. Dois estudantes de jornalismo que se mostraram fãs de biografias e disseram ter adorado a palestra. A Nathália é essa moça aí da foto acima, de camisa listrada. Quanto ao Arthur, que pena... Não estou achando uma foto dele...



Nesta tarde, tive a oportunidade, ainda, de conhecer o mossoroense Tarcísio Gurgel, escritor e professor aposentado da UFRN, que me presenteou com seu lindíssimo livro Belle époque na esquina – O que se passou na República das Letras potiguar. A obra, que estou devorando com um apetite ímpar, é resultado da tese de doutorado de Gurgel, e tem me ensinado muito sobre as grandes personalidades da história política e literária do RN no período compreendido entre a instalação da República e o final dos anos vinte.



Por meio desse livro venho, literalmente, me aproximando cada vez mais da história do Estado onde nasci, mas que precisei deixar aos dois anos de idade. Tem sido uma experiência maravilhosa aprender mais sobre minha terra, minhas raízes e os homens e mulheres que fizeram essa história acontecer. Sem dúvida, uma leitura plena de descobertas. Não bastasse isso, o projeto gráfico do livro é um escândalo de tão bonito. Tarcísio: parabéns pelo livro e muitíssimo obrigada por me propiciar essa experiência única!



No mais, às 18h30, já estávamos autografando no lançamento promovido pela Livraria Potylivros. O evento foi tão bem-sucedido quanto o de São Paulo. A fila de autógrafos era interminável e eu Teresa não tínhamos nem tempo de comer – como gostaríamos – os deliciosos quitutes servidos no coquetel.



Aliás, a organização do evento foi nota dez! Além do coquetel excelente, houve música ao vivo e um microfone aberto para quem desejasse dar seu depoimento sobre Cortez. Meu mais sincero agradecimento para Dedé e Daniel, que trabalharam duro para que tudo desse certo! Na foto acima, o próprio Cortez faz uso da palavra para agradecer a presença de todos.



Ao final, tanto Dedé quanto Íris, irmãos de Cortez, se empolgaram e assumiram o microfone, cantando a música preferida do biografado. É a linda Voltando à minha terra, de Severino Nunes Feitosa.



Mas, antes disso, até às 22h, familiares de Cortez, amigos, autores da editora, professores e jornalistas prestigiaram mais esse lançamento marcado pelo sucesso.



E durante o evento, amei encontrar minha prima Rita, que mora em Natal. Rita e toda a sua família estiveram ao meu lado (e também de minha irmã e de minha mãe) em uma época particularmente difícil de nossas vidas. Jamais esquecerei seu jeito doce e maternal quando tanto precisamos de seus cuidados. Rita, por sua vez, sente um orgulho danado da minha trajetória. E eu aproveito este espaço para, mais uma vez, dizer-lhe: obrigada pelo carinho de sempre, minha querida!



No lançamento da Potylivros, também reencontrei figuras centrais para a produção da biografia. Dentre elas, a professora Júlia Paiva, à direita da foto acima, uma das minha primeiras entrevistadas.




Também pude rever Leobaldo (de camisa azul, à esquerda). Um personagem que já apareceu muitísismo aqui no blog. E não é pra menos: Leobaldo possui uma memória privilegiada e se recorda (com riqueza de detalhes) da vida de Cortez na São Paulo da década de 80. Generoso, Leobaldo me concedeu uma das entrevistas mais importantes para a redação do livro. Ao centro da foto, de óculos, vemos, ainda, Maria, que trabalhou 23 anos na casa de Cortez, também em São Paulo, e me deu uma entrevista recheada de histórias engraçadas sobre essa experiência. Eu, claro, inseri tudo no texto, agradecendo a Deus pela ótima memória dessa turma potiguar.

Após o lançamento, eu e Teresa fomos direto para a pousada. Ambas estávamos muito felizes, mas também cansadíssimas da maratona. Caí na cama e dormi feito pedra até a manhã seguinte, quando pegamos novamente a estrada na direção de Currais Novos. Mas esta história fica para amanhã em mais um capítulo da série: “A saga dos lançamentos”. Até lá!

quinta-feira, maio 13, 2010

A saga do lançamento 2 - Recife



Já em Recife, cidade de Teresa Sales, o público do lançamento da biografia Cortez - A saga de um sonhador, e da palestra “Processo de produção de uma obra biográfica”, realizada na Livraria Cultura do Shopping Páteo da Alfândega, foi composto, em sua maioria, pelos amigos de Teresa, a maioria professores universitários.



Uma gente calorosa, que se mostrou vivamente interessada no que tínhamos para dizer. E como o tempo foi curto e não deu para fazer debate na sequência da palestra, ninguém arredou pé do local: todos ficaram papeando conosco durante os autógrafos.



Ali, entre uma assinatura e outra, respondíamos às questões e dúvidas dos professores em relação ao tema “biografia”.



Dentre esse pessoal, havia também oficias da Marinha (Cortez foi marinheiro por nove anos). Uma dessas representantes da Marinha era a simpaticíssima Andréa, assistente social.



Não resisti e tirei foto com o quepe da moça que, por sinal, já era fã de carteirinha do livro. É que Andréa recebeu o exemplar pelos Correios, antes mesmo do evento de lançamento no Recife. Fiquei emocionada em ouvi-la dissertar sobre seus trechos preferidos na história (pra todo o resto tem Mastercard!!).



No lançamento também tive a oportunidade de conhecer outros integrantes da família Cortez. É o caso de Adriana Mota Gomes, casada com Maxwell, sobrinho do biografado. Tanto o casal quanto o seu filho, Lucas, demonstraram a mesma alegria e generosidade que caracteriza o restante dessa grande família. Adorei conhecê-los!



E o que dizer de Laércio, também sobrinho de Cortez e que aparece à direita dessa foto, ao lado de Maxwell? Ave-Maria... Vou precisar de uma encarnação inteira para agradecer ao auxílio precioso que esse moço nos prestou durante essa verdadeira caravana pelo Nordeste! Laércio, muito, muito obrigada!



Ainda no Recife, alguns dos convidados foram além do evento de lançamento e nos seguiram pela noite adentro, esticada num charmoso bistrô francês que tinha por cenário a Praia de Boa Viagem. E lá, entre um camarão e outro, descobri que a simpática e conceituadíssima professora Ana Elizabete Mota (essa moça de cabelos cacheados que aparece sentada, à esquerda), doutora em Serviço Social e autora da Cortez Editora, vem a ser bisneta de Ana Bezerra, que, vejam só, dá nome à maternidade onde nasci, em Santa Cruz, RN. Conclusão óbvia: o mundo é um ovo.



Fiquei maravilhada, ainda, com a hospitalidade de Teresa Sales, que nos recebeu com almoço tipicamente nordestino em seu apartamento repleto de verdadeiras obras de arte de grandes pintores e gravuristas, como, por exemplo, Ismael Caldas. Teresa tem, também, uma tela de João Câmara, mas, para meu desgosto, a obra não estava em sua casa naquela ocasião... :(



Confesso, entretanto, que os quadros de que mais gostei são, na verdade, de um determinado engenheiro que tinha por hobby a pintura figurativa (estilo que é meu preferido). Trata-se de Hamilton (fiquei tão passada que esqueci, pasmem, de perguntar seu sobrenome), marido de Teresa, já falecido... Fiquei a-lu-ci-na-da com a beleza de suas telas, espalhadas por vários cômodos do apartamento. Amei esse quadro que aparece logo acima, mas também gostei demais da tela abaixo:



Enfim, o lançamento no Recife trouxe, como era de se esperar, muitas experiências inesquecíveis à minha vida. E é como eu confessei à plateia presente na palestra, lá na Livraria Cultura: "É a segunda vez que venho ao Recife e aconteceu exatamente o que eu previa quando li o poeta recifense Manuel Bandeira pela primeira vez, há 20 anos: me apaixonei perdidamente pela cidade. E espero que, com o flerte tão sério desta noite, ela se apaixone por mim também".

terça-feira, maio 11, 2010

A saga do lançamento - São Paulo



Estou de volta e feliz da vida! Os sete lançamentos da biografia Cortez – A saga de um sonhador, que percorreram cerca de três mil quilômetros Brasil afora, passando por São Paulo, Recife, Natal, Currais Novos, Campo Redondo e Sítio Santa Rita, na Zona Rural de Currais Novos, superaram todas as nossas expectativas!



Aqui, algumas fotos do lançamento de São Paulo, ocorrido dia 3 de maio. O público lotou a livraria de uma maneira tal que eu, Teresa Sales e Cortez, nosso querido biografado, tivemos de autografar por mais de três horas. No decorrer da semana, publicarei fotos e comentários sobre os demais lançamentos, realizados no Nordeste.



Dentre as centenas de convidados do evento paulistano estava o pessoal da Caravana do Cordel e do Grupo Unir Versos! (Júbilo, valeu pelas fotos, pela matéria no seu blog e pelo carinho de sempre!).



O autor do texto de contracapa, filósofo Mario Sergio Cortella, deu um tempo na agenda sempre lotada para prestigiar o evento.



Silmara Casadei, autora de livro infantil sobre Cortez (em fase de produção), também nos encheu de alegria com sua presença.



O evento contou, ainda, com a presença mais do que especial de diversos professores da UFRN, que aproveitaram sua participação em um congresso da Unicamp para dar um esticadinha em São Paulo e prestigiar o lançamento.

Eu não tinha tempo de pensar em nada a não ser autografar rápido a ponto de a fila não estagnar. A livraria estava lotada e, depois de iniciarmos os autógrafos, não consegui mais enxergar ninguém da minha família.

Maurício se empolgou na conversa com nossos amigos e esqueceu completamente de tirar fotos. Resultado, lá pelas tantas, meus filhos, já cansados, foram embora de carona com uma amiga da família e, só no fim da noite, me dei conta de que não havia tirado fotos nem com eles nem com minha irmã, cunhado, sobrinha, afilhada etc. Isso me deixou triste a não mais poder
:(



Mesmo assim, a noite terminou na maior farra com os familiares de Cortez e os profissionais da editora e da livraria. Uma turma maravilhosa que contribuiu muitíssimo para o sucesso do evento!



Importante destacar que essas fotos foram apenas uma prévia enviada pela editora. Ainda não tive acesso ao CD com todas as imagens do evento. Quando recebê-lo é provável que ainda volte aqui pra postar uma outra foto com amigos queridos que compareceram ao lançamento.

Desde já, meu muito obrigada aos queridíssimos que, mesmo na correria da vida que levam, dedicaram um tempinho para prestigiar esse momento tão importante em minha vida (alguns tendo vindo, inclusive, de outras cidades e também de regiões distantes da grande São Paulo).

Então, meu beijo especial para: Zilmara, Thiago, Verônica, Damião, Vani, Lara, Lígia, Gustavo, Leo, Fabiano, César, Adriana, Márcia, Ana, Joana, dona Ana, Henrique, Viana, Cláudia, Márcio, Carlos, Clóvis, Viviany, Vanessa, Sandra e, mais uma vez, Júbilo e todo pessoal da Caravana do Cordel, dentre eles, os poetas Marco Haurélio, Varneci e Moreira de Acopiara.

Valeu!!!

sexta-feira, abril 30, 2010

Bastidores de Cortez - A saga de um sonhador



E esquentando os motores para o lançamento da Biografia Cortez - A saga de sonhador, que acontece na próxima semana (conforme convite no post abaixo) em São Paulo, Recife, Natal, Currais Novos e Campo Redondo, disponibilizo aos leitores deste blog algumas imagens inéditas dos bastidores do processo de produção da biografia.

Nesta primeira imagem, que compõe o encarte de fotos do livro, vemos a miniatura de uma casa de taipa, típica do sertão nordestino, criação dos artesãos Marlos Camilo e Ruy Mazurek. O objeto enfeita o escritório do editor José Xavier Cortez, em São Paulo. Para mergulhar na vida do personagem, fotografei detalhes de sua casa e de seu ambiente de trabalho.



Essa foi uma reunião histórica na Cortez Editora, ocorrida em 23 de outubro de 2008. Histórica porque contou com a presença de todos os envolvidos no processo de investigação sobre a vida de Cortez. Na foto, estamos eu, que começara as pesquisas havia pouco mais de um mês, Teresa Sales, que já se debruçava sobre a vida do personagem há mais de dois anos, e o cineasta Wagner Bezerra, autor de documentário Semeador de livros, lançado em março deste ano. Foi uma oportunidade rara para trocarmos informações sobre Cortez (que aparece à esquerda, todo prosa com tantos admiradores à sua volta, rs!). Essas reuniões eram sempre uma alegria. Isso porque Teresa mora no Recife, e Wagner, em Goiânia. Então, sempre que ambos vinham a São Paulo, aproveitávamos para trocar figurinhas sobre nosso personagem e os diferentes processos de trabalho que mantínhamos em paralelo: a biografia e o documentário.



Enilson é irmão de Cortez e mora no sertão, numa casa vizinha ao Sítio Santa Rita, onde Cortez viveu na infância e na adolescência. Essa foto foi feita no dia em que o entrevistei (no total foram mais de 80 entrevistados, muitos dos quais tive de entrevistar várias vezes, tamanha a quantidade de informações que detinham). Essa imagem não entrou no livro, mas gosto tanto dela... Com paciência de Jó, é Enilson quem cuida para deixar a paisagem próxima ao Sítio Santa Rita tão bonita. Ele planta, colhe, rega, poda... Um sertanejo sonhador em meio ao seu oásis.



Nesta foto, todo mundo feliz da vida no dia em que eu e Teresa assinamos o contrato para a publicação da biografia.



Em quase dois anos de trabalho, esse foi um dos dias mais difíceis de todo o processo de produção da biografia. Quem me conhece sabe que uma das maiores dificuldades da minha vida é ter de acordar cedo... Pois nesse dia tive de estar de pé às cinco e trinta da manhã!! Isso porque tinha de acompanhar Cortez em seus exercícios matinais, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Ele começa às 6h30, todo serelepe... Até hoje não sei como consegui fazer tantas fotos e entrevistar seus amigos numa hora que, para mim, ainda é alta madrugada. Foi um sufoco. Pensei seriamente em aparecer na casa de Cortez de pantufas, só pra fazer graça, mas, depois, em nome da seriedade profissional, desisti :)



Aqui, uma imagem do dia 1º de março de 2010, que encerrou em definitivo a captação de notícias para a biografia. O texto já estava praticamente pronto. Mas faltava inserir informações sobre essa festa, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, o famoso TUCA, onde se comemorou os 30 anos da Cortez Editora. Uma semana depois, eu entregava a versão finalíssima da Parte II da biografia (Teresa é responsável pela Parte I).



Durante todo o processo de captação de informações (e também da redação) recorri, principalmente, ao auxílio precioso de dois personagens importantíssimos: o primeiro deles é Leobaldo Dantas Cortez, primo do biografado e dono da memória mais espantosa de que já tive notícia em toda a minha vida. Leobaldo, que hoje trabalha na rede de livrarias Potylivros, que os irmãos de Cortez mantêm em Natal, trabalhou anos com Cortez, em São Paulo, e se lembra com riqueza de detalhes de fatos importantíssimos que me ajudaram a compor essa história.



Outro personagem indispensável na redação desta biografia: José Nizário Gomes, conhecido, entre os amigos do mercado livreiro, como "seu Gomes". Já para a família, "seu Gomes" é chamado de "Dedé". Pois Dedé (como eu ouso chamá-lo também) trabalhou 20 anos com Cortez, em São Paulo, e me ajudou muitíssimo durante esses dois anos de pesquisa e escrita. Dedé foi um revisor atento do conteúdo dos originais que, acredito, deve ter lido umas dez vezes. Geralmente era ele quem fazia sugestões preciosas de histórias que não poderiam ficar de fora, além de, juntamente com Leobaldo, me auxiliar com datas e outros detalhes. Além disso, foi um cicerone incrível que me levou a conhecer a cidade de Currais Novos, onde nasceu Cortez. Fomos, inclusive, na famosa Mina Brejuí, considerada a maior em extração de Scheelita da América do Sul (a scheelita é utlizada, dentre outras coisas, para a confecção de armamentos bélicos).



Nesta foto vemos o núcleo da família de Cortez em São Paulo: Potira (sua esposa, à esquerda , nos deixou em 2009... Fato que, sem dúvida, foi a maior tristeza desses dois anos de trabalho), Mara, Cortez, Miriam e Márcia. Sem os depoimentos sinceros e preciosos dessas meninas, filhas do protagonista, seria impossível conhecer a fundo meu personagem (meninas, obrigada!!!!!).

Bem, eu precisaria de um blog inteiro para agradecer todas as pessoas e também contar mais sobre os bastidores do livro. Mas, cadê o tempo? Vou tentar publicar mais algumas informações até domingo. Por ora, fica meu agradecimento a todos os que me auxiliaram nessa empreitada que exigiu tamanho fôlego. Mil vezes obrigada!!!!

segunda-feira, abril 26, 2010

Cortez - A saga de um sonhador



É com um orgulho imenso que convido a todos para o lançamento da biografia Cortez – A saga de um sonhador, (clique duas vezes sobre a imagem para ver melhor), que escrevi em parceria com a socióloga Teresa Sales. A obra narra a trajetória do editor e livreiro José Xavier Cortez, potiguar radicado em São Paulo há 45 anos.

Na infância e adolescência, Cortez foi lavrador, vendedor de secos e molhados e minerador. Entre os 18 e os 27 anos, serviu a Marinha, de onde foi expulso devido a complicações decorrentes do Golpe de 64. Chegou a São Paulo para começar a vida do zero e, nesse contexto tão comum a milhões de retirantes nordestinos, atuou como office boy, lavador de carros, manobrista, auxiliar de escritório, vendedor de loja de autopeças e, finalmente, vendedor de livros.

E como o sertanejo é, antes de tudo, um forte, em meio a tudo isso, estudou à noite, passou no vestibular da PUC-SP e se formou em Economia. De vendedor de livros nos corredores da universidade, se transformou em um dos maiores livreiros e editores do Brasil. Tivemos a sorte (eu e Teresa) de redigir uma biografia que traz à tona um dos personagens mais surpreendentes da história do Brasil recente: um homem que ousou vivenciar a saga de sonhar, a despeito de todos os obstáculos que a vida lhe impôs.

O evento aqui de São Paulo acontece dia 03 de maio, segunda-feira, com horário bem flexível: das 18h às 21h, na Livraria Cortez, Rua Monte Alegre, 1074, Perdizes (esquina com a Rua Bartira, ao lado da PUC). Também lançaremos em Recife, Natal, Currais Novos e Campo Redondo.

Fica aqui o convite!

sexta-feira, abril 23, 2010

Dia Mundial do Livro



Todo dia 23 de Abril, em que se comemora o Dia Mundial do Livro (suposta data do falecimento de Cervantes e Shakespeare), tenho o desejo fortíssimo de estar na Espanha, onde se celebra a data com o costume de caminhar pelas ruas trocando rosas por livros. Mas, enquanto não vou ao país do autor de Dom Quixote, sigo rendendo homenagens às obras literárias por aqui mesmo.

E hoje, mais do que nunca, estou contentíssima por ter sido presenteada pelo amigo Leo Ricino com 21 livros (lindamente encadernados). Isso porque o Leo vai se mudar e precisou se desfazer de parte de sua borgeaníssima biblioteca, composta por cerca de cinco mil volumes. Devo, portanto, 21 rosas a ele.

Sobre a foto deste post, fiz há tempos. Gosto demais desse livro (clique sobre a imagem para ver melhor), em que temos acesso às cartas que o poeta Paulo Leminski trocou com o amigo Régis Bonvicino.

Nelas, há diversos haikais que tornavam as tais cartas ainda mais belas. Fica a dica de leitura neste dia cuja cor cinza foi ganhando força e tingindo o céu por completo no decorrer das horas - uma paisagem que, por sinal, é um delicioso convite a um chá e a um bom livro.

quarta-feira, abril 21, 2010

terça-feira, abril 20, 2010

Hilda Hilst



Quem me conhece sabe de minha paixão por Hilda Hilst. Escritora que foi, ao lado de Adélia Prado, tema de minha dissertação de mestrado, em 2003. Amanhã, 21 de abril, Hilda faria 80 anos. E hoje, em meio ao turbilhão de emoções que vivi (metade por conta do trabalho e metade porque uma amiga muito querida passou por uma cirurgia delicadíssima no coração), recebi um e-mail maravilhoso do Daniel Fuentes, que cuida lá do Instituto Hilda Hilst, em Campinas.

Olha só que notícia boa ele nos deu:

Caros,

O Instituto Hilda Hilst tem a felicidade de comunicar, nesta semana em que Hilda completaria 80 anos, o inicio do processo de tombamento da Casa do Sol, sede do Instituto, e também o lançamento de projeto arquitetônico de reforma e construção de teatro, biblioteca e residência de bolsistas. Recomendamos também reportagem especial sobre Hilda e o futuro do Inst. Hilda Hilst que irá ao ar no programa Metrópolis da TV Cultura, quarta-feira dia 21, as 20:30 hs.


Neste tombamento vale ressaltar a fundamental participação da Academia Paulista de Letras, Unicamp e Ed. Globo, além da amizade e empenho da amiga Lygia Fagundes Telles. Importante valorizar também a parceria com o escritório RBF Arquitetura e Planejamento, responsável pelo projeto arquitetônico para o futuro da Casa do Sol.

Outro evento interessante que circunda esta "semana Hilda Hilst" é o lançamento do livro "Porque Ler Hilda Hilst", de Alcir Pécora, pela Ed. Globo, que contará com pocket-show de Zeca Baleiro e outros eventos interessantes.
Todos estão convidados (dia 21, 16hs, Livraria Cultura do Shopping Pompéia)!

Grande abraço,

Daniel Fuentes
www.hildahilst.com.br



Bom, queria compartilhar a notícia e terminar este post inserindo dois textos. O primeiro é meu soneto preferido nesta vida, que é, claro, de Hilda. O outro é um poema que o Drummond fez para ela. Uma coisa muito fofa, como só ele sabia fazer :) Estou certa de que vocês irão gostar.



Sonetos que não são


Aflição de ser eu e não ser outra.

Aflição de não ser, amor, aquela

Que muitas filhas te deu, casou donzela

E à noite se prepara e se adivinha



Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha

Que te retém e não te desespera.

(A noite como fera se avizinha.)



Aflição de ser água em meio à terra

E ter a face conturbada e móvel.

E a um só tempo múltipla e imóvel



Não saber se se ausenta ou se te espera.

Aflição de te amar, se te comove.

E sendo água, amor, querer ser terra.


(Roteiro do Silêncio(1959) - Sonetos que não são - I)



Agora, o poema do Drummond:


Estrela Aldebarã


Abro a folha da manhã

Por entre espécies grã-finas

Emerge de musselinas

Hilda, estrela Aldebarã.



Tanto vestido enfeitado

Cobre e recobre de vez

Sua preclara nudez

Me sinto mui perturbado.



Hilda girando boates

Hilda fazendo chacrinha

Hilda dos outros, não minha

Coração que tanto bates.



Mas chega o Natal

e chama a ordem Hilda.

Não vez que nesses teus giroflês

Esqueces quem tanto te ama?



Então Hilda, que é sab(ilda)

Manda sua arma secreta:

um beijo em morse ao poeta.

Mas não me tapeias, Hilda.



Esclareçamos o assunto.

Nada de beijo postal

No Distrito Federal

o beijo é na boca e junto.


(Carlos Drummond de Andrade)


Então? Não são duas coisas mais lindas, mais cheias de graça?

terça-feira, abril 13, 2010

O último desejo




Se você me chama,
viro chama:
fogueira de São João.
Labareda cor laranja,
pavio aceso,
explosão!
Se você me chama, fervo:
frevo, danço, rodopio!
Se você me chama,
escorro,
rente à margem do seu rio.
Viro lava in(can)descente,
cujo último desejo
é ser cinza e,
como um beijo,
me espalhar sobre você.

Goimar Dantas
São Paulo,
12/04/2010.

domingo, abril 11, 2010

Minha vida é um caderno aberto



Anotações do curso de documentário, que fiz ano passado. Neste dia, em específico, o palestrante era o documentarista Cao Guimarães, que discorria sobre os seus premiados curtas-metragens, dentre eles, o filme Da janela do meu quarto. Pra assistir a este curta, é só clicar aqui: www.youtube.com/watch?v=9pPiqWJeHZs.

sábado, abril 10, 2010

Curto circuito


Uma das fotos que inseri agora há pouco no Flickr, retratando os salões da Biblioteca do Congresso Americano, que visitei ano passado, em Washington DC.



Tô naquela fase de não saber se assovio ou chupo cana. Ando com muita vontade de escrever crônicas, memórias e declarações de amor, mas cadê o tempo pra revisar os sentimentos?

Nas últimas semanas, tudo tem demandado fôlego de atleta e só me resta acelerar ainda mais. A intensidade desses dias renderia um filme completamente alucinado, marcado por aquele estilo tipo vídeoclip, sabe?

Pois na pista de corrida dessa minha vida, desde que começou o mês de abril, li metade da ótima biografia Padre Cícero, de autoria de Lira Neto, escrevi um monte de textos, revisei, pesquisei, agendei, fotografei, cancelei, briguei, chorei, gritei pra caramba, me decepcionei, andei a pé, de ônibus, de metrô, desci a serra na direção de Cubatão, passei frio, fiquei presa num túnel, esperei, temi deslizamentos (mas era só um caminhão quebrado :P), cheguei à casa da minha mãe, almocei, saí com ela pra resolver assuntos de família (não, infelizmente não é nenhuma herança, rs), fui ao banco, voltei pra casa da minha mãe, tomei café, banho, jantei, aprendi noções básicas de xadrez com minha sobrinha de 12 anos, conversei horrores com minha irmã e, a uma hora da manhã do dia 09 de abril de 2010, tivemos, ambas, o maior ataque de riso já registrado em nossa existência.

De lá pra cá, voltei pra São Paulo, almocei no vegetariano com a editora e grande amiga, Rosângela Barbosa, falamos um monte, rimos outro tanto, voltei pra casa de táxi, respondi um quilo de e-mails, atendi duas dúzias de telefonemas, mandei mensagens de texto (odeio, só uso esse recurso em último caso) e, completamente descabelada, cansada e sem batom, recebi o marido que chegou de viagem.

Depois, fomos alugar três filmes. No mesmo dia, assisti um, debati assuntos profissionais, agendei um sem-número de compromissos pra semana que vem e me dei conta de que terei de ter fôlego redobrado na segunda quinzena de abril (para organizar tudo que preciso fazer no mês de maio). Então, hoje cedo fui à aula de Yoga, porque não me restava outra coisa a fazer pra manter a espinha ereta e o coração tranquilo (sim, porque a "mente quieta" eu não quero não, obrigada).

E entre uma coisa e outra, vim aqui pra dizer que indico vivamente:

1. A biografia Padre Cícero - Poder, fé e guerra no sertão, de Lira Neto. É tudo o que eu esperava e mais um pouco: texto elegantíssimo, história completamente aparentada com o realismo fantástico (adoro!) e uma verdadeira aula de pesquisa biográfica de qualidade.

2. O ótimo As meninas da Torre Hensique, primeiro livro da Adriana Lunardi. Ano passado li os outros dois e também os achei fantásticos. Meu preferido é o terceiro: Corpo Estranho, sobre o qual já falei aqui no blog. Mas, também carrego um bonde pelo segundo livro publicado pela moça: Vésperas.

3. O filme Há tanto tempo que te amo, (Philippe Claudel, 2009), vencedor de dois César e duas vezes nomeado ao Globo de Ouro. Você encontrará ótimas interpretações, tema sensível e, pra quem gosta, a possibilidade de ouvir francês durante uma hora e meia. AMO!:)

4. Gosta de boa música? Então vá no site da Rádio GNT e ouça as 10 Mais, sugeridas pelo crítico musical Arthur Dapieve. Estou completamente apaixonada por toda a seleção.

5. Se você está em São Paulo, não perca o festival de documentários É tudo verdade. Eu nunca consigo ir, mas vai que você tem mais tempo e mais sorte do que eu no quesito "sair de casa pra ir ao cinema"?

6. Gosta de fotografia? Acabei de postar, na minha galeria do Flickr, algumas fotos que fiz ano passado na Biblioteca do Congresso Americano: um dos lugares mais lindos que já vi na vida. Vá lá clicando aqui.


Enfim, é isso. Em breve tenho um montão de novidades! Aguarde!

segunda-feira, abril 05, 2010

Da inspiração à criação


Imagem captada ano passado, na Washington Square, em Nova York


Algumas imagens têm o poder de inundar meu coração com o líquido cálido da poesia.
E uma vez nessa essência mergulhado (como em um rito sagrado), o velho músculo cansado sai, assim, revigorado. E apesar de soldado raso, vê-se apto a bombear, por todo o corpo, simples imitação de vinho do Porto. E o gosto doce se espalha (pela veia e pelos vãos), me embriagando em silêncio: baque de Baco em meu tempo, em meu espaço. Fixa-se assim o laço, entre mim e a criação: espécie de verbo e carne. Mapa entre céu e chão.

Goimar Dantas,
São Paulo,
05-04-2010

sexta-feira, abril 02, 2010

A partida



Assisti A partida (direção de Yojiro Takita, 2008), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009, em meio à correria do final do ano passado. Desde então, vinha tentando encontrar um tempinho para comentar sobre ele aqui. Trata-se de um roteiro originalíssimo, apesar de tratar de um tema tão universal quanto a morte. Um assunto, a princípio, denso, mas que o filme consegue abordar com uma surpreendente mescla de humor e drama, pontuada com interpretações de sensibilidade rara.

Trama, diretor e elenco nos levam a refletir sobre a única certeza indiscutível que, um dia, nos tomará nos braços. E o que é, afinal, a morte? É possível enfrentá-la com dignidade e sabedoria? Como deve ocorrer esse rito de passagem? Com simplicidade máxima ou pompa e circunstância? É possível encontrar forças para sorrir quando a vida de uma pessoa que amamos é ceifada? Como irão reagir os que estão à volta daquele(a) que se foi? O que deixar como legado? E os assuntos não resolvidos? E as mágoas? De que modo esses e outros sentimentos continuarão existindo no tempo e no espaço? Se é que continuam...

O interessante da história é que para tratar desses temas, culturalmente vistos como profundos e filosóficos, roteiro e direção optaram por um caminho inusitado: antigos rituais fúnebres nipônicos. Na trama, um violoncelista recém-casado perde seu emprego em uma orquestra sinfônica e decide voltar para sua cidade de origem, onde sua falecida mãe lhe deixara, como herança, a casa onde viveram. Lá, ao interpretar de forma equivocada um anúncio de emprego publicado em jornal, o rapaz vai parar em uma agência funerária especializada, justamente, em belíssimos (acredite, são lindos) rituais fúnebres.

A necessidade econômica faz com que o jovem aceite o trabalho, a despeito de seus próprios medos e preconceitos. É quando tem início sua incrível jornada rumo ao processo de autoconhecimento, que ocorre paralela à descoberta de seu talento tão singular.

Vida e morte, superações e limitações, perdas e perdões, separações momentâneas e definitivas, alegria e tristeza, solidão e companhia são temas que permeiam esse filme que, com delicadeza oriental, é capaz de nos fazer rir e chorar. Muito mais do que o Oscar já conquistado, a obra merece – na minha modesta opinião – um lugar todo especial no coração da gente. Pra quem ainda não viu, fica a dica.