sábado, dezembro 06, 2008

Diário londrino



Quem acompanha esse blog sabe que volto e meia publico posts sobre a viagem que fiz para Londres e para a Escócia, ano passado (setembro de 2007). Lá mesmo, rascunhei todos esses textos, mas eles ficaram guardados a espera de complementos, informações, revisões. Também naquela época, este blog quase não abria espaço para textos em prosa. 99% do que eu publicava aqui eram poesias. Há poucos meses, entretanto, entrei nesse surto “cronista” e confesso que estou gostando.

Então, aí vai mais um capítulo do meu diário de viagem.

“Acordamos tarde, tomamos café e seguimos para o passeio no London Eye, que é uma espécie de roda-gigante londrina moderníssima, com cabines muito amplas que permitem aos freqüentadores uma vista incrível da cidade. Para chegar até ela, enfrentamos uma fila quilométrica, embora muito organizada e, por ser basicamente constituída por turistas, também era completamente multicultural e poliglota. Lembro com nitidez de que, pouco atrás de nós, uma jovem japonesa trajava, de uma só vez, todos os estilos do mundo. A moça parecia um cabide onde se pendurava roupas de tendências e épocas as mais diversas. Era, por assim dizer, um objeto de estudo para pesquisadores da área de moda. Um estudante do tema certamente teria orgasmos múltiplos ao vê-la. Nunca tinha deparado com algo assim. Nem mesmo quando visito a Galeria do Rock, aqui em São Paulo (um lugar onde se cruzam representantes de tribos variadíssimas).

Mais à frente, duas namoradas apaixonadas trocavam carinhos naquela fase típica de começo de relacionamento. Ninguém tem defeitos e é tudo lindo. Muito olho no olho, carícias, sussurros ao pé do ouvido... Ai, que maravilha... Não precisava nem ser fã de quadrinhos pra ver os coraçõezinhos pipocando ao redor das duas. O mais curioso é que, à exceção desta bisbilhoteira que vos escreve, as duas pareciam não chamar a atenção de mais ninguém (assim como a japonesa-cabide). Coisa típica de cidades cosmopolitas, mas, que, por motivos sociais e culturais que renderiam teses, ainda não acontece nas metrópoles brasileiras. Fico pensando nessas três moças em alguma fila daqui. Desviariam completamente a atenção da atração turística e seriam, elas próprias, um evento à parte.

Logo atrás das moças apaixonadas, mãe e filha alemãs conversavam muito baixinho, contidas no sorrir, nos contatos físicos... Contrastavam completamente com as espanholas tagarelas e extrovertidas que também esperavam a hora de ver a cidade lá de cima.



Enfim, chegou a nossa vez de entrar em uma duas enormes cabines do London Eye e, então, a observação que eu fazia das pessoas deu lugar à da cidade. Vista lá do alto, não poderia ser mais bonita com a imponência da sua história milenar. O Big-Ben, o parlamento, as catedrais, o Tâmisa, seus jardins e parques... Meu medo de altura foi, literalmente, para o espaço. Agradeço ao meu bem, meu “Mau” que, como sempre, não deu ouvidos às minhas súplicas de pavor e comprou os ingressos a despeito da minha covardia. Ainda bem. Fico devendo mais essa para ele. As cabines são tão grandes e a velocidade da subida tão ínfima que é impossível se sentir vulnerável. Adorei."

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Sonhos de menina



Histórias de amor geralmente não têm como ser explicadas usando “Aurélio” e “Houaiss”. São e pronto. Levam a gente à loucura e pronto. É assim. Como dois e dois são cinco (já dizia aquele gênio polêmico nascido em Santo Amaro da Purificação).

Mas daí vem a gente querendo escrever sobre essas histórias de amor. Vem a gente querendo entender mais sobre elas. Vem a gente querendo dar um jeito de traduzir o intraduzível...

E lá vou eu tentar explicar meu amor pela música “Sonhos”, do Peninha. Amor de infância, diga-se. Na minha casa, meus pais só escutavam rádio AM. E essa música era um verdadeiro hit nos programas populares.

Nessa época, eu ainda não tinha histórias de amor mal-sucedidas, dessas de arrancar os cabelos. Quer dizer, tinha o Fabiano, um amor platônico da pré-escola. Um menino de olhos azuis, cabelos loiros e totalmente desprovido de qualquer indício de que soubesse da minha existência. Mas eu não sofria com isso. Afinal, ele era bonito mesmo olhando sempre para o lado oposto de onde eu estava. E, naquele tempo, apreciar o belo me bastava.

Poucos anos depois, apesar de ainda não sofrer, mal o rádio iniciava os primeiros acordes de Sonhos, eu ficava lá, com o olhar perdido, imaginando romances tórridos com os meninos da minha classe... Com meninos da minha rua... Com qualquer menino que cruzasse o meu caminho (descrição do meu conceito de romance tórrido na infância: beijo na boca, seguido de sorvete ou vice-versa). Verdade seja dita, não importava o menino. O coitado era um mísero objeto pra que eu pudesse entrar no universo de amor e dor propiciado pela música.

Não é incrível esse poder de transcendência provocado pela letra e pela melodia de algumas canções?

Eu me rendo a elas. E ainda hoje, tantos anos depois, volta e meia crio mundos para poder me entranhar em algumas músicas. Nessas horas, deixo a imaginação dar o tom e vivo outras vidas. Outras paisagens. Transito por outras fronteiras. E dou graças, sempre, pela viagem. Porque toda viagem é um aprendizado. E o que mais me atrai nessa vida é o conhecimento e a possibilidade de experimentar o novo (mesmo quando ele está usando trajes antigos).

E ontem, pude viajar novamente à minha infância, aprendendo um pouco mais sobre ela. Bastou que, para isso, eu encontrasse um passaporte disponível no You tube. Um bilhete irrecusável concedido por Paula Toller. Eu não estava procurando por essa viagem, em específico, mas, como ela surgiu na minha frente, agradeci e embarquei.

E lá estava o novo, vestida de mim mesma, aos 9 anos de idade, sonhando com meninos. E o poder dessa imagem trouxe mais inspiração e alegria ao meu dia. E não bastasse isso, ao me ver menina, escutando Peninha mesclado à voz de Paula Toller, aprendi que os Sonhos vão e voltam, às vezes com vozes, tons, trejeitos e estilos diferentes.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Forró for all


Animação total na pista.


No último sábado, estive no tradicional restaurante Andrade, aqui de São Paulo – famoso pelo forró e pela comida típica nordestina. O objetivo era acompanhar o encerramento da gravação do documentário O semeador de livros, de autoria de Wagner Bezerra. Conforme já expliquei aqui no blog, o filme contará a história do editor José Xavier Cortez, sobre o qual estou escrevendo a biografia, juntamente com a socióloga Teresa Sales.


Os dançarinos Cortez e Inês, numa pausa após a gravação

Cortez é exímio dançarino de forró e freqüenta o restaurante Andrade há 20 anos. Adorei o lugar. O clima da casa não poderia ser melhor. O pessoal é simpaticíssimo e a maioria dos freqüentadores é assídua. A comida é maravilhosa, todo mundo conhece o dono, os garçons, os músicos... Tirei muitas fotos, conheci um monte de gente e, obviamente, também gravei um vídeo do Cortez arrasando no forró, ao lado de Inês, sua parceira de dança há 10 anos. Mas os dois dão um show tão incrível, que acabei me empolgando... O vídeo ficou enorme e pesado demais pra postar aqui...


Os músicos sabem tudo de forró e não deixam ninguém ficar parado

Acabei não resistindo e filmei um pouquinho da performance de outros casais, todos amigos de Cortez. É impressionante como dançam bem. Porém, na minha modesta opinião, o conjunto da obra conta muito e, por isso, o troféu de charme, graça, gingado, estilo e beleza vai para os lindíssimos Alex e Juliana, essa dupla do vídeo logo abaixo. Fiquei boquiaberta, literalmente, e ficaria horas vendo os dois dançando...


Cortez e Inês com Alex e Juliana


Aqui, uma palhinha do casal especialista em "Ginga, charme e estilo"

sexta-feira, novembro 28, 2008

Nasceu!



Tatá e Yuri. Foto feita no primeiro final de semana que ela passou em nossa casa.




Conheci minha filha há três anos, num abrigo localizado na Zona Leste de São Paulo. Nossa família parecia estar completa até então. Eu, Maurício e Yuri sempre nos bastamos. Não fomos ao abrigo com a intenção de adotar ninguém. A idéia era só passar uma tarde divertida com as crianças. Há anos ajudávamos esse abrigo com sacolinhas de Natal e pequenas doações. Então, recebemos o convite que mudaria nossas vidas para sempre.

Nossa amiga Valéria de Paula Queiroz, que era voluntária do abrigo, nos disse: "Gente, vamos lá conhecer as crianças que vocês ajudam". E nós fomos. E lá chegamos. E uma hora depois, nós a vimos. Linda, com seus olhos de índia nos chamando para ela. Para dentro dela. Para o mundo dela. Para a alma dela. E nós fomos. E o mundo, como o conhecíamos, se transformou por inteiro. Era 18 de setembro de 2005.

E, depois disso, lutamos oito meses tentando conseguir autorização judicial pra que ela passasse um final de semana aqui em casa... A história de vida dela era complicada demais e o juiz temia que nossas intenções não fossem sérias. Temia que fosse fogo de palha. Por não estarmos numa fila de adoção, éramos tratatos como párias, como marginais. Fizeram um levantamento no sistema pra ver se nenhuma família estava interessada nela. Claro que não acharam ninguém. Até porque a esmagadora maioria dos que estão na fila só quer adotar bebês brancos e com até dois anos de idade, no máximo. Foram meses de estresse. Meses nos deslocando, atravessando a cidade para vê-la, a cada 15 dias. Era desesperador olhar pra ela e perceber que o cabelo, a pele, as roupas... Tudo poderia estar melhor se ela pudesse estar conosco desde o dia em que a conhecemos... Mas a Lei dos homens é muito esquisita, demorada, defasada... E nada podíamos fazer. Não podíamos sequer visitá-la toda semana, de modo a não deixá-la mais ansiosa e confusa do que já estava.

Finalmente, em abril de 2006, ela passou a vir para nossa casa nos finais de semana. E aí começou outro drama: tínhamos de devolvê-la para o lar no domingo. E era aquela choradeira. E eram nossos corações partidos. E era nossa vontade de xingar, de gritar, de espernear, de bater em todo mundo. Afinal, era a nossa filha, desde o primeiro momento... Não desejo essa dor pra ninguém.

Até que, um mês depois, aconteceu. O juiz - já não era sem tempo - ficou comovido quando soube que minha filha estava doente e muito triste por conta dessa situação de ter pais e, ao mesmo tempo, não ter... Precisou que ela tivesse febre e que fosse levada para o hospital. Precisou que ela chorasse a noite inteira, acordando outras crianças do abrigo. Precisou que todos sofrêssemos pra que ele, o juiz, enxergasse o que já era evidente para todos.

E assim, recebemos a guarda provisória em 18 de maio de 2006. Nove meses depois do dia em que a vimos pela primeira vez. Uma gravidez. Uma nova vida... Ela já era nossa pela lei do amor. Mas faltava a tal lei dos homens dar o veredito final nos concedendo a guarda definitiva. Um documento que faria com que minha filha tivesse o sobrenome da nossa família e uma nova certidão de nascimento.

Foram mais dois anos e meio de espera pra que isso acontecesse. Idas e vindas ao fórum, entrevistas, relatórios, papeladas, burocracias, advogados (do Estado) morosos impedindo a nossa felicidade total. Nossa advogada sofria conosco e não tinha mais cara pra nos explicar que as coisas não têm prazo quando a Justiça dos homens está no meio delas... E dá-lhe espera, expectativa, frustração.

Mas essa semana veio a notícia com um telefonema da doutora Maria Carolina Torres (para nós, a Carol): "O juiz deu o parecer final. Saiu a guarda definitiva. Vocês vão poder fazer a certidão da Tatá".

Então, ontem, dia 27 de novembro, aos 10 anos de idade, nasceu, para a lei dos homens, a minha filha Tailane Morena Dantas Pedro. A mesma menina que já está conosco, certamente, há muitas e muitas vidas. Ela sempre foi nossa. Nós sempre fomos dela.

E essa era a música que cantávamos para nossa pequena quando íamos visitá-la no abrigo.


quarta-feira, novembro 26, 2008

segunda-feira, novembro 24, 2008

Peito aberto




Há dias escancaro as portas do peito
e, nem assim,
a poesia entrou...

Teria eu escrito alguma coisa
que a lírica dama não gostou?

Goimar Dantas
São Paulo, 23-11-08



Abaixo, uma baladinha que eu adoro. Além de ser ótima pra ressacas poéticas...


sábado, novembro 22, 2008

Adélia Prado e a poesia do dia-a-dia



Adélia Prado. Ela foi tema da minha dissertação de mestrado, ao lado de Hilda Hilst. Por conta disso, já vi Adélia algumas vezes, mas nunca é suficiente vê-la nem ouvi-la. E daqui a pouco, mais precisamente às 18h, ela estará dando palestra aqui em São Paulo, na Balada Literária que acontece desde quinta, dia 20 (ver post abaixo).

Conforme o previsto, não consegui ver nenhuma das apresentações da balada, tamanha a quantidade de trabalho que tenho por esses dias... Por conta disso, estou em casa, parindo textos por todos os poros. Boa parte deles têm de vir ao mundo na segunda-feira, devidamente robustos, corados e saudáveis. Estou fazendo o possível. E o impossível também. Uma das coisas impossíveis seria prosseguir trabalhando enquanto Adélia estará próxima daqui, discorrendo sobre poesia, religião, erotismo, cotidiano e outros temas que compõem sua obra.

Ah... O peso das responsabilidades por vezes pode nos esmagar, nos causar tremenda dor e nos fazer reféns. Mas eu resolvi não permitir que isso acontecesse e para cada duas horas trabalhadas, tiro 10 minutos pra mim. E eles são intensos. Poéticos. Como é a própria Adélia. E graças a esses minutos sagrados, hoje já fui à minha varanda ver a chuva grossa que caía lá fora e que tanto me inspira... Já fui à cozinha fazer chá de morango. Já vi três vídeos da Adélia no You Tube (é pena, são poucos vídeos... o melhor tem 10 minutos, mas, nos últimos três, alguém da platéia resolve falar e acaba com a magia que vinha inundando o lugar... alguém tinha de ter editado isso e liberado o vídeo só com Adélia falando...). Já escutei Caetano em francês... E, agora, estou escrevendo este post...

E como são quase 18h e estou muito cansada, me concederei a honra de 30 minutos de folga antes de iniciar os trabalhos noturnos. E nesse intervalo, vou atravessar a rua e ir até um charmoso restaurante que abriu aqui na frente do meu condomínio. E lá, pensarei em poesia, em Adélia e em como somos capazes de mandar a tristeza às favas sorvendo os pequenos prazeres da vida. E esse pensamento tão bem-vindo será elaborado enquanto comerei uma fatia de bolo, acompanhada por um bom café.

E viva Adélia(a quem devo parte desses aprendizados)!

quarta-feira, novembro 19, 2008

Balada literária em São Paulo



Essa foto tem uns dois anos, mas é perfeita pra ilustrar minha cara de desespero nessa fase atual de não saber se assovio ou chupo cana. Tenho pilhas de trabalho pra entregar nas próximas semanas e ando sem tempo até de me coçar. Em meio a esse turbilhão, uma amiga nos convidou pra ir para o apartamento dela, na praia, nesse feriado... Sei, não... Enquanto as crianças vão pro mar, acho que vou passar o tempo todo é me bronzeando com a palidez da luz branca desse laptop...

Ao mesmo tempo, aqui em São Paulo, acontece a ótima Balada literária, organizada pelo Marcelino Freire. Pra variar, acho difícil que eu consiga ver alguma das atrações... Fico me perguntando: por que será que meus picos de trabalho sempre coincidem com os melhores eventos literários do Brasil???? Vou te contar, viu?

Bom, pra os que estarão em São Paulo, sem muito o que fazer nesse feriado da Consciência Negra (quinta, dia 20, mas que a maioria vai emendar com a sexta), vejam aí a programação maravilhosa, que pesquei lá no blog Doidivana.

Aproveitem!


DIA 20 - QUINTA-FEIRA

11h00 - LIVRARIA DA VILA
EVA FURNARI, ÍNDIGO, LUIZ BRAS e VLADIMIR SACCHETTA conversam com TATIANA BELINKY.
Mesa de abertura em que três autores da literatura infantil e o escritor VLADIMIR SACCHETTA conversam com a homenageada da BALADA LITERÁRIA 2008, a escritora TATIANA BELINKY.
Participação especial da atriz ANA LUISA LACOMBE.

14h30 - LIVRARIA DA VILA
ALBERTO GUZIK conversa com FERNANDO BONASSI, RICARDO SILVESTRIN e SUZANA AMARAL.
O escritor e ator ALBERTO GUZIK conversa com o escritor e dramaturgo FERNANDO BONASSI, com o poeta e músico RICARDO SILVESTRIN e com a cineasta SUZANA AMARAL.

18h00 - SESC PINHEIROS
RICARDO SOARES conversa com CECÍLIA GIANNETTI, JUAN DIEGO INCARDONA e PEDRO MAIRAL.
O escritor, jornalista e diretor de TV RICARDO SOARES conversa com a escritora carioca CECÍLIA GIANNETTI e com os argentinos JUAN DIEGO INCARDONA e PEDRO MAIRAL.

21h00 - TEATRO BRINCANTE
Noite em homenagem ao Dia da Consciência Negra e ao centenário do poeta pernambucano SOLANO TRINDADE com as participações de MARIA EUGÊNIA ALMEIDA, MIRÓ, NARUNA COSTA, OLIVIA ARAÚJO, PEDRO AMÉRICO, ROSANE ALMEIDA, VALMIR JORDÃO e WILSON FREIRE.
Na ocasião, será exibido o documentário MIRÓ: POETA, PRETO, POBRE E PERIFÉRICO, dirigido por WILSON FREIRE e premiado no CINE PE 2008.

DIA 21 - SEXTA-FEIRA
11h00 - LIVRARIA DA VILA
ÁLVARO COSTA E SILVA conversa com BEATRIZ BRACHER e CRISTOVÃO TEZZA.
O jornalista ÁLVARO COSTA E SILVA, editor do caderno Idéias do Jornal do Brasil, conversa com a paulistana BEATRIZ BRACHER e o catarinense CRISTOVÃO TEZZA.

15h30 - CENTRO DA CULTURA JUDAICA

MAURÍCIO MELO JÚNIOR conversa com BERTA WALDMAN, MARIO TEIXEIRA, MOACYR SCLIAR e RONEY CYTRYNOWICZ.
O jornalista MAURÍCIO MELO JÚNIOR, apresentador do programa LEITURAS, da TV SENADO, conversa com os escritores MARIO TEIXEIRA, MOACYR SCLIAR e RONEY CYTRYNOWICZ e com a pequisadora BERTA WALDMAN, por ocasião do lançamento dos livros ABC do Mundo Judaico, de Scliar, e O GOLEM DO BOM RETIRO, de Teixeira, ambos publicados por Edições SM.

18h00 - SESC PINHEIROS
IVANA ARRUDA LEITE conversa com MENALTON BRAFF e MURILO CARVALHO.
A escritora IVANA ARRUDA LEITE conversa com o gaúcho MENALTON BRAFF e o mineiro MURILO CARVALHO, vencedor do Prêmio Leya de Literatura 2008.

21h00 - MERCEARIA SÃO PEDRO
Abertura oficial da exposição e lançamento de livro de fotografias feitas pelo carioca JOSÉ DINIZ em comemoração aos 40 anos da MERCEARIA SÃO PEDRO, um dos botecos “literários” mais badalados da cidade.

DIA 22 - SÁBADO

11h00 - LIVRARIA DA VILA
EVANDRO AFFONSO FERREIRA conversa com ALTAIR MARTINS, LUCI COLLIN e RONALDO CORREIA DE BRITO.
O escritor mineiro EVANDRO AFFONSO FERREIRA conversa com o gaúcho ALTAIR MARTINS, com a curitibana LUCI COLLIN e com o cearense RONALDO CORREIA DE BRITO.

14h30 - BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA
FABRÍCIO CARPINEJAR e FABRÍCIO MARQUES conversam com JOMARD MUNIZ DE BRITTO e SEBASTIÃO NUNES.
O poeta gaúcho FABRÍCIO CARPINEJAR e o poeta mineiro FABRÍCIO MARQUES conversam com o poeta e agitador pernambucano JOMARD MUNIZ DE BRITTO e com o poeta e editor mineiro SEBASTIÃO NUNES.
Na ocasião, serão comemorados os 70 anos de Jomard e Sebastião - este último, acompanhado da abertura da exposição com o acervo da sua histórica EDIÇÕES DUBOLSO.

17h00 - BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA
IVAN MARQUES conversa com ADÉLIA PRADO.
O professor da USP e crítico literário IVAN MARQUES, criador do programa Entrelinhas, da TV Cultura, conversa com uma das principais poetas brasileiras, a mineira ADÉLIA PRADO.

19h30 - BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA
Apresentação literomusical com o poeta, ator e dramaturgo GERO CAMILO, em que ele aproveita para lançar o seu primeiro CD, “Canções de Invento”.

DIA 23 - DOMINGO
14h30 - LIVRARIA DA VILA
JOCA REINERS TERRON conversa com ANGELI, LAERTE e RAFAEL GRAMPÁ.
O escritor cuiabano JOCA REINERS TERRON conversa com os quadrinistas ANGELI, LAERTE e RAFAEL GRAMPÁ.

18h00 - CENTRO CULTURAL b_arco
CLAUDINEY FERREIRA conversa com FABIANA COZZA, FRANCISCO BOSCO e LUIZ TATIT.
O jornalista CLAUDINEY FERREIRA conversa com a cantora FABIANA COZZA, com o escritor e ensaista FRANCISCO BOSCO e com o cantor e compositor LUIZ TATIT.
Participação especial de MARCIO DEBELLIAN, um dos realizadores do documentário PALAVRA (EN) CANTADA, que discute a relação entre música e poesia no Brasil com depoimentos, entre outros, de ADRIANA CALCANHOTTO, CHICO BUARQUE, JORGE MAUTNER, LIRINHA, MARIA BETHÂNIA e o próprio LUIZ TATIT. Na ocasião, serão exibidos trechos do filme.

20h00 - ENCERRAMENTO - CENTRO CULTURAL b_arco
Show com a banda gaúcha PATA DE ELEFANTE.
Em seguida, lançamento de vários títulos, como o livro-LP NOSSA SENHORA DA PEQUENA MORTE, de CLARAH AVERBUCK. No espaço, estarão expostas as ilustrações da obra, feitas pela artista plástica EVA UVIEDO.
Haverá ainda o lançamento dos livros da EDIÇÕES K, de Curitiba.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Concertos para a juventude





Mãe é babona mesmo, né? Então... Não seria eu a mudar essa máxima mais velha do que andar pra frente...hehe. Partindo dessa afirmação, trago até vocês uma pequena apresentação do músico aqui de casa. É meu filho Yuri, 12, que tem aulas de bateria há dois anos, uma vez por semana.

Porém, só no último mês de junho, meu superstar ganhou sua bateria eletrônica de aniversário e pôde começar a se exercitar mais entre baquetas, pratos, bumbos e afins. Olha, eu trabalho em casa, num minúsculo escritório que fica ao lado do quarto dele, mas juro de pés juntos que não me incomodo quando ele começa a tocar. Ao contrário, adoro (!) e, sempre que posso, páro uns minutos e vou até lá babar mais de perto... Esse vídeo foi feito numa dessas "paradas" em que a baba escorre. A música é "Toxicity", da banda "System of a Down".

Bem, gente... Eu sou suspeita, claro... Mas, vamos combinar: ele não é tudo de bom?
A idéia é que daqui a uns anos eu largue essa vida de operária do texto e possa acompanhá-lo em algumas turnês pelo mundo...rs! Nada mal, hein? Afinal, já fiz assessoria de imprensa pra tanta gente, por que não faria para o meu astro do rock?

Ai, ai... Quem sabe?

domingo, novembro 09, 2008

Uma potiguar na Portobello Road



A profusão de pessoas lembra à da Rua 25 de Março, em São Paulo. Entretanto, as semelhanças entre a feirinha de antiguidades londrina da Portobello Road e a principal via comercial paulista não vão muito mais além... Na terra de reis e rainhas imperam os turistas que, além de endinheirados, emprestam a Portobello um quê de Babel pós-moderna. Italianos, espanhóis, brasileiros, japoneses, franceses, indianos, coreanos, chineses e outros tantos representantes dos lugares mais diversos do planeta caminham, “parlam”, “hablam”, compram, fotografam, riem e se dividem em tribos variadas.

Ao andar naquele turbilhão, a impressão era de que eu estava vivenciando um dos típicos sonhos nonsense que nos acometem de quando em vez. E a sensação era ainda mais intensa devido à minha ânsia de captar, escutar, absorver e registrar cada detalhe (aliás, registrei com os olhos porque, como já expliquei em um post mais antiguinho, fiquei tão abobada olhando tudo que mal me lembrava de fotografar...). Essa coisa de viajar pouco faz da gente escravo dos cinco sentidos quando fora do nosso habitat. Eu, pelo menos, sou assim. Entro em parafuso pelo desejo de apreender mais do que posso no pouco tempo que geralmente tenho para andar por aí. É pena porque essas impressões não raro originam quadros difusos e desconexos – como se fossem compostos por um sem-número de pintores de escolas estéticas distintas. E, para complicar, fui cair de pára-quedas no turbilhão da Portobello apenas duas, talvez três horas depois de chegar a Londres, pela primeira vez na vida, em setembro do ano passado... Foi demais para uma tarde só.



Eu ainda estava sob o impacto da Babel anterior, vista e "ouvida" no vagão do metrô (repleto de pessoas de diversas nacionalidades tagarelando em idiomas variados) que nos levou a Holland Park, para a casa onde "Meu bem, meu 'Mau'” já estava hospedado havia dois meses. Aliás, a casa – cuja proprietária era leitora voraz – é um capítulo à parte dessa história. Por seus quatro pavimentos, não havia sequer um cômodo, canto ou vão de escada em que não houvesse livros, revistas e jornais espalhados por sobre mesas, cadeiras, estantes, prateleiras. Um deleite... Na foto acima, vemos um cantinho da cozinha, com prateleiras de livros ao fundo e revistas e jornais sobre a mesa...



Mas, voltando à Portobello Road, o que presenciei foi um misto de lindo dia de sol, músicos se apresentando nas calçadas, casas com jardins cuidadíssimos, roupas, antiguidades e lojas que atraíam pencas de profissionais e amantes da moda (na primeira loja que entrei, por exemplo, dei de cara com uma consultora de moda brasileira que tinha um quadro de dicas no Canal GNT...). O visual das pessoas era variadíssimo: meninas usando shorts com meias-calças (de todas as cores imagináveis), outras com maquiagem pesadíssima, como as protagonistas das novelas mexicanas, rapazes com look hippie-chique, outros fazendo a linha básica, com jeans e camiseta e, é claro, as mulheres do tipo perua (com as roupas de estampa de oncinha que sempre me dão engulhos).



Também havia orientais aos montes portando sobretudos e cabelos do tipo “Sim, sou moderno(a) e moro em Tokyo” e indianos com seus turbantes multicores. Por toda a extensão da rua, centenas de barracas ofereciam, ainda, comidas tão variadas quanto as nacionalidades das pessoas que transitavam por ali. Eu me rendi a uma mistura de camarão com pata de siri e, como sobremesa, tracei uma caixa inteira repleta dos morangos mais doces que já comi em toda a minha vida. De resto, me deixei levar pela viagem visual que eram as pinturas figurativas à venda nas barracas, bem como os pôsteres de astros do cinema, as echarpes de todas as cores possíveis... Adorei passar em frente à casa do escritor George Orwell, situada metros antes da profusão de feirantes, chapéus, boinas, bares com mesas lotadas, cervejas sendo cultuadas por grupos de amigos sorridentes, árabes, saias esvoaçantes, menininhas vestidas à la Sara Kay (leia-se: trajadas como as personagens do álbum de figurinhas Bem-me-quer, que eu colecionava quando criança...), tules, rendas, estampas e bolsas... Zilhões de bolsas, para a minha absoluta perdição...



Dentro da minha cabeça tudo isso virava um redemoinho de dimensões ainda desconhecidas. Era muita gente, informação, mercadoria... Pra não perder tudo aquilo, cheguei em casa e fiz anotações esparsas nas duas últimas páginas, em branco, de uma edição de "O continente", volume 2, da obra "O tempo e o vento", de Erico Veríssimo, cuja leitura eu estava para terminar. Achei perfeito anotar as impressões daquele dia inesquecível (e o conseqüente redemoinho mental que produziu em mim) em meio a um livro cuja história é, justamente, sobre os desenrolares e conseqüências trazidas pelo tempo e o vento. E falando em tempo... Este post está atrasado exatamente um ano e dois meses...

quinta-feira, novembro 06, 2008

Desejos





Eu tenho fome das noites
que ainda estão por chegar.
E certos desejos de lua
por vezes vêm me tomar.
Uns desejos prateados,
amarelados, dourados...
Desejos de cavalheiros
(desses que enfrentam dragões...)
Desejos cheios, crescentes,
que me invadem de repente
numa volúpia de loba
uivando para o luar.
Fera no alto da pedra:
cio sob o céu da selva
me tragando, me bebendo,
inundando feito o mar...
E, então, as noites vindouras
escutam, ao longe, os desejos,
uivos e desassossegos
de uma loba potiguar.

Goimar Dantas
São Paulo
31-10-08

quarta-feira, novembro 05, 2008

Irresistível




Não resisti. Acho que é a primeira vez que faço qualquer menção à política nesse blog. O fato é que a eleição de Barack Obama tomou proporções inimagináveis em todo o mundo. Milhões de pessoas nos cinco continentes estão emocionadas e esperançosas. Sedentas por renovação e mudança. Na verdade, só o futuro e a História dirão se Barack Obama realmente será um bom presidente. A situação está péssima e ele terá um trabalho hercúleo se quiser fazer ao menos um terço de tudo o que esperam dele... Ficarei torcendo para que consiga, claro. Por isso mesmo, adorei esse vídeo que pesquei lá no blog Síndrome de estocolmo. Ele nos mostra pelo menos uma coisa: Obama tem suingue, ginga, jogo de cintura... Quem sabe...

segunda-feira, novembro 03, 2008

Prêmio Jabuti



Com passos de tartaruga, esse post atrasadíssimo traz algumas imagens do evento de 50 anos do Prêmio Jabuti, comemorado na última sexta-feira, na Sala São Paulo. Nessa foto, vemos Ignácio de Loyola Brandão, emocionado e surpreso, por ter tido o seu "O menino que vendia palavras", Editora Objetiva, escolhido como Livro do Ano (o mesmo livro ficou em segundo lugar na categoria livro infantil). Brandão e a torcida do Corínthians davam como certa a vitória de Cristovão Tezza com o seu "O filho eterno", que venceu o Jabuti na categoria melhor romance. Para quem anda meio sem tempo de acompanhar o noticiário literário, Tezza faturou os mais importantes prêmios do ano até o momento: Portugal Telecom, Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Revista Bravo e o próprio Jabuti de melhor romance, claro.

Foi lindo o discurso do Ignácio de Loyola Brandão, que, aos 72 anos de idade, dedicou o prêmio às suas duas professorinhas do primário, que ainda estão vivas, beirando os 90 anos, lá em Araraquara - interior de São Paulo. Ele contou que ambas ainda o chamam de "menino".
Eu achei ótimo ele ter levado o prêmio porque sempre torço para que os livros infantis sejam mais e mais valorizados pelo mercado. Mesmo assim, quero muito ler o livro do Tezza. Estou roxa de curiosidade, mas, cadê o tempo?



O jornalista Laurentino Gomes, que faturou o prêmio de melhor livro do ano de não-ficção, pelo seu festejado "1808", publicado pela Editora Planeta. Fez um discurso ótimo, lembrando de agradecer aos historiadores, de quem bebeu na fonte para escrever seu best-seller. Disse que está felicíssimo porque as pessoas estão lendo seu livro, em vez de ler auto-ajuda. Está certíssimo. Eu também estaria dando pulos se fosse ele.




Como editor José Xavier Cortez, da Cortez Editora, escolhido pela presidente da Câmara Brasileira do Livro, Rosely Boschini, para ser saudado em nome de todos os profissionais do mercado editorial presentes na cerimônia dos cinqüenta anos do Prêmio Jabuti. Há dois meses, tenho tido a honra de desfrutar da presença constante de Cortez, uma vez que estou escrevendo sua biografia, juntamente com a historiadora Teresa Sales. Cortez merece todos os holofotes mesmo. Sua história é cinematográfica e já está sendo devidamente transformada no documentário "Semeador de Livros", de Wagner Beserra e com previsão de lançamento para 2009. Típico retirante nordestino, Cortez se tornou um dos maiores editores da Capital Paulista, tendo publicado os autores acadêmicos mais festejados do país, dentre eles, o educador Paulo Freire, para citar apenas um.




Acho a beleza da Sala São Paulo estonteante. Sempre me comove...





O ator Antonio Callone leu trechos de obras que, ao longo dos anos, foram as vencedoras na categoria Livro do Ano, dentre elas, "Quase memória", de Carlos Heitor Cony, vencedora em 1996, e o ótimo "Um passarinho me contou", de José Paulo Paes, Livro do Ano de 1997.




Miriam Cortez, chiquérrima, acima de tudo e de todos.



Potira Cortez e Potiguar, digo, Goimar Dantas.

sábado, novembro 01, 2008

Semana do livro



No dia 30, estive num bate-papo sobre minha trajetória profissional lá na Biblioteca Municipal de Cubatão, capitaneada pelo historiador Welington Borges, que está comigo nessa foto. O evento fez parte das comemorações da Semana do Livro e contou com a presença de poetas, jornalistas, escritores e músicos.

Welington é um incansável e faz um esforço danado para levar iniciativas dessa natureza até o público cubatense. Fiquei muito feliz pelo convite porque morei em Cubatão uns 20 anos e foi justamente nessa Biblioteca que dei início à minha formação humanista. Lá tive acesso a Machado de Assis, Manuel Bandeira, García Márquez, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Augusto dos Anjos, Érico Verissimo, Nelson Rodrigues e tantos outros autores essenciais. Para completar, o evento me deu a oportunidade incrível de rever vários amigos queridos, muitos dos quais eu não encontrava há anos. Fiquei superemocionada com a presença deles.




Foi o caso da Monal, Relações Públicas, colunista social, mãe, avó, apresentadora de TV... Sempre me deu uma força incrível desde os tempos mais remotos. Colocava a maior fé no meu texto, a loira... Na época em que cursávamos faculdade, ela fazia seus trabalhos e sempre vinha me pedir pra revisar o texto. Totalmente desnecessário. Ela sempre mandou muito bem. Pois no dia 30, além de ela ir me ver, ainda levou chocolates de presente. Não é fofa?



Conheci Carlos Roque quando tinha 16 anos. Ele fazia arquitetura em Santos e eu cursava o antigo "colegial", também naquela cidade. Íamos às aulas utilizando o mesmo ônibus, cedido pela Prefeitura de Cubatão. Ele me agüentava cantarolando música pop o caminho todo, coitado. Quando eu não cantava, tagarelava de forma exageradamente adolescente. E ele ali, me dando ouvidos, firme, paciente como Jó. Nunca reclamou. Ao contrário: me dedicava extrema atenção. Sempre foi uma gentleman. Roque foi o primeiro e único homem com quem tomei vinho branco acompanhado de um pacote de Fandangos, aquele salgadinho da Elma Chips... Nenhum de nós se lembra bem de como fomos parar na cozinha lá de casa munidos desses produtos, digamos, tão díspares. O mais engraçado foi ver a cara da minha mãe chegando, de repente, e presenciando cena tão insólita.

Lembro como se fosse hoje dele me mostrando suas poesias e desenhos geniais. Roque é lírico do dedinho do pé até o último dreadlock. É especialista em construir casas e sonhos. Adoro.



Fiquei passada com a presença do meu amigo Gilberto Freitas lá no evento... Eu o conheço há uns 20 anos e, desde então, ele sempre trabalhou vinte mil horas por dia. É advogado lá na Prefeitura, além de ter um escritório particular também. Tem uma agenda lotada. Vive fazendo reuniões, recebendo clientes, estudando causas... Chegou só uns 10 minutos atrasado e ficou até o final do bate-papo... E eu me senti a rainha da cocada preta por isso.




Minha amiga Cléia, que cursou Tradutor Intérprete comigo no antigo "colegial" (sim, eu sou uma pessoa antiga), saiu correndo do trabalho, lá em Santos, para levar sua presença maravilhosa ao bate-papo. Gente... Fazia uns 10 anos que nós não nos víamos e eu queria era ter tempo de colocar todos esses anos de fofoca em dia com ela...




Com o poeta e dramaturgo Marcelo Ariel, autor de "Tratado dos Anjos Afogados", editora Letra Selvagem, 2008, e "Me enterrem com minha AR-15", edição Dulcinéia Catadora. Desde que comecei a freqüentar a Biblioteca de Cubatão, Ariel era presença constante, sempre falando de livros, autores, poesia, prosas... Seu último livro teve excelente acolhida da crítica e ele é, de longe, a personalidade cultural mais renomada da cidade. Fiquei toda prosa com a presença dele lá.





Acreditem ou não, eu já fiz teatro. E o Ivan da Conceição era meu colega de turma, nos idos de mil novecentos e naftalina. Deus tem nos convervado bem. Amém. Se eu tivesse competência e paciência seria atriz, mas acho tão cansativo que resolvi deixar a tentativa para a próxima encarnação. Escrever combina mais com meu jeito solitário de trabalhar. Trabalhos em grupo me dão calafrios. Se necessário eu até que trabalho, mas, realmente, não é minha preferência. E esse perfil "eu comigo mesma" não combina em nada com o teatro. Até para encenar um monólogo é preciso uma infinidade de gente nos bastidores. Pois o Ivan nasceu pra isso. Sua próxima empreitada é montar um texto da minha querida Hilda Hilst. Cabra bom, esse Ivan!

Lembro-me dele tentando me "coreografar" certa vez. Dançamos juntos num evento em Cubatão... Não tenho idéia de que evento era aquele. Sei que usei um vestido lindo e emprestado. Sei também que dançamos ao som de "Vaca profana", do Caetano. Tinha de ser com Caetano ao fundo, claro. Ivan é, antes de tudo, um santo. Explico: eu sou uma péssima dançarina. E que Deus me perdoe por tê-lo feito pagar mico ao meu lado.

terça-feira, outubro 28, 2008

Presente Potiguar




Eu mereço uma overdose de Roberta Sá. Na veia. Depois de uns 20 dias inacreditavelmente cansativos, ontem terminei um trabalho que, sinceramente: ou eu acabava com ele ou ele acabava comigo... E como o sertanejo é antes de tudo um forte, eu acabei com ele, claro. E precisava comemorar em grande estilo... Por isso, hoje resolvi me dar um monte de presentes. Um deles foi escutar Roberta Sá durante uma hora.

A moça é minha potiguar preferida. Perde só para Câmara Cascudo, que é hours concours, convenhamos. Quanto mais eu a escuto, mais me apaixono por sua voz, seu jeito doce, seu sorriso. Sinto-me na obrigação de compartilhar. No vídeo acima, vocês têm acesso a “Janeiros”, uma das minhas músicas preferidas do segundo e excelente CD da moça, intitulado: Que belo estranho dia para se ter alegria. Agora, se você quiser saber qual é a minha preferida dentre todas as músicas já gravadas por essa potiguar há tempos radicada no Rio de Janeiro, basta clicar aqui e ir até o final da página. Se ainda não viu, vá lá!

domingo, outubro 26, 2008

Carta ao pai




Querido pai,

Hoje você faria aniversário, caso ainda estivesse aqui com a gente... E lá se vão 22 anos sem poder ao menos ligar pra você e dizer: “- Alô, pai?! Tudo bem? Feliz aniversário!! Tá ficando velho, hein?”

Um texto simples, coloquial, plausível... Mas, para mim, sempre tão impossível... Mais de duas décadas de impossibilidades, ausências, vazios. Engraçado como sempre me comoveu essa situação específica de não poder sequer telefonar pra você. É estranho admitir, mas isso sempre me tocou de maneira muito mais forte do que a carga costumeiramente pesada que envolve o próprio “Dia dos Pais”. Não sei explicar o porquê. O fato é que, ao longo dos anos, quando volta e meia escutava algum amigo falando com o pai ao telefone era aquele baque... Imediatamente vinha uma vontade imensa de chorar... Era como se esse simples evento na vida da outra pessoa simbolizasse todo o rol de acontecimentos que eu havia perdido em relação a você.

Então, em uma fração de segundos, minha memória trazia à tona milhares de outras inviabilidades acarretas pela sua perda: as formaturas que você nunca assistiu, os namorados com os quais nunca implicou, as minhas poesias, textos e livros os quais você nunca leu nem tampouco criticou ou elogiou... Meus filhos – e isso é o pior de tudo – que você nunca conheceu... Os dramas, as alegrias, meu trabalho, minhas escolhas, acertos, equívocos... As discussões que nunca tivemos sobre horários, comportamento, roupas, festas e outras questões adolescentes e juvenis... Mas a verdade é que minha memória do que não vivemos sempre foi repleta de lembranças imaginadas, criadas, produzidas pela imensa vontade de que tivessem realmente existido...

Ah, pai... Eu daria qualquer coisa para travar um diálogo de dois minutos com você.

Mas, o que eu diria? Bem, acho que eu perguntaria se você consegue ver a mim, minha irmã e minha mãe todos os dias, daí de onde você está. Perguntaria se consegue acompanhar o crescimento dos seus netos. Questionaria se consegue sentir quando estamos alegres ou tristes... Afinal, será que escuta quando, à noite, eu peço para você iluminar meus caminhos? E como é o lugar onde você está? É no mesmo lugar onde estão meus avós? Você pode ficar junto deles o tempo todo? O que você mais gosta em mim? E do que menos gosta? Sabe que minhas frutas preferidas são jabuticaba e pinha e as do Yuri também? O que acha dos olhos de índia da Tatá? O que pensou do modo como ela chegou em nossas vidas, arrebatando nossos corações sem avisar? Você escuta quando o Yuri toca bateria? Escutava quando a Verônica tentava tocar violino só pra agradar minha irmã? O que achou das poesias que escrevi para você? E qual delas prefere: “A linha do trem”ou “Personalíssimo”? O que achou de eu ter encontrado, aos 15 anos, exatamente um ano após ter perdido você, um menino que traz o seu nome no sobrenome dele, cujo signo é o mesmo que o seu e cujo jeito um tanto autoritário esconde um coração de manteiga derretida – exatamente como o seu? E como viu o fato de eu ter escolhido esse menino para viver ao meu lado para sempre? Acha que Freud explica ou complica tudo isso?

Querido pai, pensando melhor... Acho que eu precisaria de bem mais do que dois minutos para falar com você... Mas, ainda assim, juro que daria tudo o que tenho nem que fosse só pra ouvir você dizer: “- Alô? Filha? Sim... Estou aqui...”

Pai, encerro essa carta com um cena verdadeiramente especial pra mim porque simboliza tudo o que tenho sido nos últimos 22 anos sem você: uma eterna criança que pula, dança, salta e se desdobra... Só pra agradar ao pai...



sábado, outubro 25, 2008

Motivos





Escrevo porque tenho fome.

Escrevo porque apeteço.

Escrevo porque me arrisco,

Risco, rabisco e me esqueço.

Escrevo porque é difícil ter quem realmente escute...

Escrevo porque mereço saber bem mais sobre mim.

Escrevo porque sou filha.

Escrevo porque pari.

Escrevo porque me custa pensar em não existir.

Escrevo pra preservar o tempo e as emoções.

Para resgatar histórias.

Unir fios de memórias

e criar tapeçarias,

cores, realces, poesias

sobre os eventos de outrora.


Goimar Dantas
São Paulo
Madrugada de 13-10-08

quinta-feira, outubro 23, 2008

Haikai da redenção





Pra minha alma
encontrar salvação:
basta a poesia desta oração.

Goimar Dantas
São Paulo
23-10-08

domingo, outubro 19, 2008

Caminho para as estrelas





O desejo está se aproximando.
Vem por trás, como um bandido.
Estremeço.
Posso sentir seu hálito quente em meu pescoço.
Está armado e dispara sua língua.
Ela atinge em cheio a penugem indefesa que recobre minha nuca.
Rendo-me em arrepios frios,
mas logo vem a febre,
o calor,
a chama.
O fogo se espalha.
Transforma meu peito em brasa.
A mesma que marca meu coração com novas iniciais.
Viro bicho de fazenda:
potranca exibindo o couro marcado pelo dono.
Um sujeito forte e possessivo
(como tem de ser).
Ele monta sobre mim.
E faz de meus cabelos rédeas.
Começo um galope selvagem.
Atravesso vales, prados, campinas.
Mas em poucos segundos,
já não galopo:
flutuo.
E alcanço as estrelas.

Goimar Dantas
São Paulo
29-09-08


quarta-feira, outubro 15, 2008

À minha Sherazade, com carinho





Aos 10 anos de idade, uma de minhas redações foi selecionada como a melhor da classe. Nessa ocasião, minha professora Thaís achou por bem gastar uns cinco minutos de sua vida tecendo elogios sobre minha capacidade de contar histórias.

Eu não cabia em mim de felicidade... E jamais vou esquecer a sensação de ver meu texto sendo reproduzido na lousa por uma de minhas amiguinhas (a que tinha a letra mais bonita), de modo que todos pudessem copiar a tal história.

Thaís foi a professora mais doce e também a mais interessada em nos fazer amantes dos livros para sempre. Todos os dias, pedia pra gente guardar o material 15 minutos antes de bater o sinal e se dirigia para porta da classe. Encostava-se ali numa atitude relaxada, abria um livro e nos contava uma história. Simples assim.

Era um momento mágico para todos nós. Grudávamos os olhos nela para melhor absorver seus gestos e reações enquanto narrava fábulas e lendas... Segura de seu método, minha Sherazade tinha sempre a inflexão de voz perfeita para cada personagem e situação descrita nas páginas à sua frente.

Aquelas foram as minhas primeiras viagens literárias uma vez que, por motivos vários, o hábito da leitura não existia em minha casa. Conduzida pela voz de Thaís, visitei florestas encantadas, habitats de fadas, bruxas, gnomos... Fui ao Egito e também ao Oriente Médio. Usei jangadas, trens, estradas, balões. Thaís era assim, não medida esforços para nos mostrar um mundo que transcendia os muros da Escola Estadual de Primeiro Grau Jayme João Olcese, em Cubatão.

Lembro perfeitamente de seu rosto, de seus cabelos cacheados, seu sorriso, seu modo de se vestir. Adorava quando ela vinha de macacão jeans. Combinava perfeitamente com seu estilo pouco formal. Impossível também é esquecer seus olhos grandes e castanhos nos fitando sempre com tanta atenção...

Infelizmente, a vida fez com que eu perdesse de vista a minha professora Thaís. E, provavelmente, ela nem desconfia que ao escolher minha redação e elogiar meus dotes de “contadora de histórias” de modo tão especial, acabou definindo meu destino para sempre... Naquele momento eu soube que passaria a vida escrevendo. Afinal – pensava eu – tudo o que queria era sentir aquela felicidade de novo. A felicidade de se fazer o que ama e, ainda por cima, tocar o coração das pessoas com isso.

Thaís foi a primeira a me apontar o caminho. E sempre terá lugar cativo na minha memória e no meu coração. Neste Dia dos Professores, tudo o que queria era poder dizer isso a ela...


segunda-feira, outubro 13, 2008

Confissões






A Royal Scottish Academy Building é um prédio anexo à The National Gallery of Scotland. A função desse “anexo” é sediar exposições temporárias, como a de Andy Warhol, intitulada “What’s on?”, que tive a oportunidade de ver em setembro de 2007. Bem... Eu infelizmente não sou especialista em artes plásticas... Quem me dera... Mas isso não é empecilho para expressar o que sinto quando vejo um quadro, um esboço, uma exposição. Sentir é uma coisa... Discorrer com propriedade é outra. E o que eu sinto é que eu não troco a única orelha do Van Gogh pelo Andy Warhol todo...

Sei lá... Eu olho tudo aquilo e digo: “Puxa, legal...” E só. É como Jazz... Nunca rolou pra mim. Nunca achei graça. Escuto um acorde e, pronto! Lá vem bocejo... É batata. Já tentei tomar John Coltrane na veia, mas o máximo a que cheguei foi a uma overdose de tédio. Não adianta. Depois disso, desisti. Sou mais Clara Nunes cantando "Feira de Mangaio". AMO.

Já o que vi na The National Gallery of Scotland... Nossa... Ficava arrepiada, boquiaberta, sem ar... E nem por isso eu sabia se o que estava olhando era dessa ou daquela tendência/corrente. Sei que parecia um sonho ver obras de Raphael, Velásquez, Van Gogh, Monet, Rembrant, El Grego, Degas, Cézanne... Todas, assim, próximas umas das outras...

Isso não quer dizer que eu não aprecie artistas contemporâneos. Ao contrário, adoro Beatriz Milhazes, João Câmara, Janaína Tschäpe, Vick Muniz, Adriana Varejão e, meu preferido, John Nicholson... Não se trata da briguinha Clássicos X Contemporâneos. O que está em jogo é só gosto pessoal mesmo. Sem teses ou muitos argumentos. É sentimento. Puro sentimento.

Mas, voltando ao Andy, confesso que adorei esse inusitado dos organizadores da exposição, que bolaram enrolar as pilastras da Royal Scottish Academy Building com essas ilustrações das latas da famosa Sopa Campbells, tão representativa da arte daquele artista pop. Achei divertido, provocativo, original. Adjetivos que, sei, têm muito a ver com senhor Warhol... Entendo que ele provocou rupturas, discussões, reflexões. Sem dúvida, um artista. Mas a verdade é que nunca me arrepiou a penugem da nuca. Pena. Pior pra mim.


Enquanto isso, arrepiando a minha nuca...

sábado, outubro 11, 2008

Tema para Isaura







Ponho o dedo na ferida
Só pra ver sangue jorrar.
Não temo o corte do açoite.
Antes, fujo pela noite.
Se sou escrava é de amar.


Goimar Dantas
São Paulo
o8-10-08


quinta-feira, outubro 09, 2008

Oásis


Eu tenho sede do sal

do corpo que sai do mar

caminhando pela areia

(oferenda de Iemanjá).



Fonte de língua,

saliva,

águas pra se queimar.

Um desassossego líquido

Fogo de estrela solar.


Um rito,

um risco,

um pecado.

Um inferno, assim, molhado.

Paraíso e perdição.


Um deserto no oceano,

oásis de um outro plano,

delírio de peregrino,

arte final do Divino.



Corpo-poço de desejo.

Um infinito!

Um lampejo!

Onde me lanço

e me jogo

na ânsia por me afogar.


Goimar Dantas
São Paulo
09-10-08


segunda-feira, outubro 06, 2008

Sobre um novo amor




Já fazia tempo que eu não me apaixonava pra valer, mas, no último mês de setembro, aconteceu. Vivi sensações intensas tendo a sorte de poder prolongá-las ao meu bel prazer. Atingi não sei quantos clímax e perdi a conta dos suspiros nascidos dessa felicidade. Entreguei-me a uma história conduzida com maestria e não foram poucas as vezes em que pensei em largar tudo para me dedicar somente a ela. Minha cabeça, minha alma e meu coração se tornaram reféns cativos do Corpo Estranho e incrivelmente perturbador criado pela escritora Adriana Lunardi.

Para mim, não há nada melhor do que me entregar aos textos e contextos descritos por autores que têm na poesia e no amor pela palavra o seu fundamento máximo de trabalho. E é assim com Adriana Lunardi. E também é assim com outra Adriana, a Lisboa. Escritora para a qual eu também tiro o chapéu, o boné e a boina.

O fato é que ter descoberto Adriana Lunardi nesta Primavera que começou tão fria em São Paulo foi um deleite. Uma espécie de delírio suficientemente forte para me manter aquecida. E, como acontece sempre que me apaixono, entrei em estado prolongado de êxtase. Meus olhos estão mais brilhantes, meu coração mais acelerado, meus sentidos aguçados.

Já experimentei grandes amores literários. O primeiro foi aos 15, com Machado de Assis. O Bruxo do Cosme Velho me enredou em suas linhas e entrelinhas para sempre e, ainda hoje, tenho palpitações quando folheio qualquer coisa que ele tenha escrito. Depois, veio Gabriel García Márquez, seguido de Manuel Bandeira. Na seqüência, tive vários amantes, é verdade, mas nada tão significativo quanto meu encontro com Jorge Luis Borges. Flutuo sem paradeiro só de ouvir o nome do criador de Ficções... Cheguei a pensar que nunca mais sentiria algo tão forte, até que surgiram João Guimarães Rosa e Adélia Prado. Outros desses amores que, julgo, serão eternos.

E agora vem Adriana Lunardi. E mal posso esperar para ler Vésperas e As meninas da torre Helsinque – seus dois livros anteriores, muito festejados pela crítica e já traduzidos em vários idiomas, inclusive o croata. Não me estenderei sobre a trama de Corpo Estranho. Isso você pode ler clicando aqui ou em vários outros textos disponíveis na internet. O que eu queria mesmo era falar de paixão, de amor, e do modo como tudo isso está, a meu ver, conectado ao reino das palavras. Adriana Lunardi foi agraciada com o dom de usá-las com profundidade e poesia. Um feito raro. E sempre que deparo com raridades de magnitudes estelares, me permito falar menos e sentir mais.

E como todo amor que se preze tem a sua música...


sábado, outubro 04, 2008

quarta-feira, outubro 01, 2008

Na terra de Shakespeare

Em setembro de 2007, há exatamente um ano, estive por dois dias na pequena cidade de Stratford-upon-Avon, terra natal de William Shakespeare, na Inglaterra. Localizada a cerca de duas horas de Londres, é considerada o segundo destino turístico mais visitado do país. São aproximadamente 10 roteiros de passeio oferecidos aos viajantes de todo o mundo. Algumas das principais atrações da cidade são as cinco casas onde viveu o escritor – todas transformadas em museus de estilos variados. A principal é a Shakespeare’s Birthplace (essa casa aí da foto, onde estou dando uma de Rapunzel. Foi justamente nela que Shakeaspeare nasceu, em 1564), considerada um dos marcos turísticos mais famosos de toda a Grã-Bretanha. Nesse local o escritor passou os anos mais importantes para a sua formação. A casa foi transformada em um moderno museu que consegue aliar passado e presente, na medida em que os visitantes podem apreciar as primeiras edições de suas obras tanto em cópias impressas quanto digitalizadas. Os monitores são uma simpatia e te explicam tudo e mais um pouco.


Essa fonte data de 800 anos. As esculturas de cisnes foram inseridas no local como forma de comemoração pelo aniversário de oito séculos da fonte. Os cisnes são aves muito comuns na cidade, que têm hotéis e casas de comércio cujos nomes também fazem referência a essas aves.


A começar pelos tradicionais ônibus de turismo, todos os passeios têm guias e atores trajados à moda elizabethana, sempre acompanhando os visitantes pelos roteiros de passeios. A preservação da arquitetura e dos espaços tais e quais aos da época vivida pelo autor de Hamlet é uma atração à parte, bem como os jardins milimetricamente bem cuidados que emolduram as casas e lugares públicos da charmosa Stratford-upon-Avon. Até agora não sei porque eu estava rindo tanto quando essa foto foi tirada... Acho que era de nervoso. Tá certo que o roteiro é lindo, mas eu quase congelei nesse passeio... Quem me conhece sabe que minha tolerância às baixas temperaturas simplesmente inexiste. Não conheço ninguém que sinta mais frio do que eu. O caso é realmente grave. Costumo dizer que quando venta em Santa Catarina eu já me cubro aqui, em São Paulo. Alguém tem de inventar um casaco com aquecedor acoplado, caso contrário, continuarei dando meus vexames em viagens. Nesse passeio, por exemplo, lembro que o vento cortava a pele do meu rosto de forma tão afiada que uma determinada hora enrolei minha cabeça com o cachecol, sem medo de ser ridícula... Aconteceu a mesma coisa dias depois, na Escócia. Eu parecia mais uma muçulmana de burca.... Só os olhos de fora. Um horror.


A casa que aparece ao fundo é a Hall’s Croft, onde a filha de Shakespeare, Susanna, morou com seu marido, o famoso médico John Hall. Doutor Hall era um profissional extremamente respeitado na região. Prova disso é que a casa se transformou em um museu repleto de instrumentos de trabalho do médico, bem como seus livros, anotações, desenhos da anatomia humana, descrições de casos etc. Dizem que, durante anos, a fama do médico era infinitamente maior do que a de Shakespeare.


Este é o lindo jardim da casa hoje conhecida como Nash’s House. Foi nela que Shakesperare viveu seus últimos dias. Após a morte do escritor, a casa foi herdada por sua filha Susanna Hall que, por sua vez, deixou a casa para a filha Elizabeth Hall, esposa de Thomas Nash. Esse jardim é simplesmente maravilhoso. Não fosse o frio eu teria ficado ali por horas...


Esse é o jardim da casa conhecida como Anne Hathaway’s Cottage – sem dúvida o lugar mais lindo que já visitei na vida. Uma atmosfera de sonho paira em toda a extensão da casa e do jardim extremamente bem cuidado. Foi nela que Anne, esposa de Shakespeare, passou sua infância. Foi também ali que ela e Shakespeare moraram nos primeiros tempos de casados. A título de curiosidade: os guias explicaram que o casamento de ambos era tido como muito incomum, uma vez que ela era, se não estou enganada, seis anos mais velha que ele - algo quase inconcebível para a época. Bem, o fato é que o lugar é considerado uma das atrações turísticas de clima mais romântico de toda a Inglaterra. Pena que não podíamos fotografar no interior da casa. Pena...


Esta é a Mary Arden’s House and the Shakespeare Countryside Museum – fazenda onde a mãe de Shakespeare passou a infância. O lugar possui toda a caracterização da época, com bonecos de cera reproduzindo pessoas com vestes típicas, sempre retratando os afazeres cotidianos dos camponeses do período Elizabethano.


A Holy Trinity Church é a Igreja onde o escritor está enterrado, juntamente com seus familiares. Os vitrais são lindos e impressiona ver tantas lápides não só da família de Shakespeare, mas também de outras figuras importantes da cidade. Em cada lápide, uma breve descrição sobre como foi a vida de quem está ali. Informações como nome, idade, profissão e comentários do tipo: “Morreu aos 92 anos. Um caso raro de longevidade numa época em que a maioria das pessoas morria muito cedo etc”.
Muita gente vai a Londres e desconhece esse roteiro turístico tão próximo e tão interessante. Para quem gosta de literatura, como eu, é realmente imperdível. Faria tudo de novo, apesar do frio...