sábado, agosto 30, 2008

O espírito das árvores


A casa de madeira da minha infância
ainda mora em mim.

Suas paredes, seu chão, suas janelas...
Árvores antigas me abrigando, solidárias.

Energia de florestas encantadas,
místico reino de sonhos infantis.

E graças à casa feita de troncos e galhos
criei raízes profundas e um espírito de aroma amadeirado.
Fruto de veias compostas de sangue, sândalo e seiva.

Quem me olha de verdade pode até não ver a casa,
mas vê corpo crepitando ao primeiro sinal de fogo.

E talvez por queimar tão fácil
desejos de chuva me tomem com tanta freqüência...

A casa de madeira da minha infância é útero.
É cantiga de acalanto.
Força da natureza, calor.

Aquela casa era um ninho.
E eu...
Menina passarinho
a espera de voar.

Se hoje sou flor e fruto
a casa é eterno refúgio.
Pedaço da minha história.
Cômodo estreito de outrora.
Regaço e colo materno
prontos para me aninhar.

Goimar Dantas
São Paulo
27-08-09

quinta-feira, agosto 28, 2008

A cinza dos dias


Está pra mais de 20 dias
Que eu não escrevo um poema...
E a dor dessa longa ausência
Dilacera como faca,
Nó cego que não desata,
Um rito cheio de dor.

Um grito preso,
Um aperto,
Um silêncio no meu peito,
Um amor longe de mim...

Olho pro céu e não vejo
Nenhum sinal de sossego.
Somente estrelas de angústias
Brilhando a não ter mais fim...

Estrelas que vêm caindo...
Estrelas que vêm queimando...
Explodindo e faiscando
Pra virar cinzas em mim.

Goimar Dantas
São Paulo
26-08-08

segunda-feira, agosto 25, 2008

Haikai blue sky


Proponho um sonho:
moça dormindo
sob o céu de outono.
Goimar Dantas
São Paulo
05-08-08
(Sobre a imagem: fiz essa foto no Centro de São Paulo, na calçada do Shopping Light, antiga sede da São Paulo Tranway Light and Power Co. Adoro o Centro da Cidade, suas surpresas, belezas e histórias. Achei lindo esse casal de estátuas vivas... De uma delicadeza... Para completar, quando despertou de seu sono, a linda moça que fazia companhia a Santos Dumont me presentou com uma pedrinha da sorte.
E acima de nós, um céu típico de outuno fazia graça, invadindo, azul, a estação do frio).

sexta-feira, agosto 22, 2008

Bienal Blues & Cachaça


A cada Bienal Intenacional do Livro de São Paulo sou acometida por um misto de alegria e melancolia. Alegria porque adoro rever amigos, me perder entre os estandes e assistir às dezenas de palestras e encontros com escritores e profissionais da área. Melancolia porque morro de saudades da época em que trabalhava apenas e tão somente em Editora. Todos os temas, problemas, dramas e emoções do meu cotidiano giravam em torno dos livros. Eles são o meu grande amor, minha cachaça, meu vício. Estou trabalhando incansavelmente para que, um dia, eu possa me dedicar exclusivamente a eles.
Mas não é fácil... Há três anos me divido entre livros, roteiros, textos para empresas, redação de artigos, consultorias, assessorias etc, etc e mais etc... Nos últimos dois anos, por exemplo, o grosso da minha produção resultou em mais de 80 roteiros para vídeos institucionais. Não é que não goste de escrever roteiros. Escrever é sempre uma bênção... Mas confesso que os livros, pequisas e qualquer trabalho que se relacione a eles ganha disparado na minha perefência.
Quando escrevo um roteiro tenho a impressão de que estou confortavelmente instalada na mansão de um amigo. É linda e tal... Mas não é minha. É difícil explicar. Difícil entender. Mas é o que sinto, de verdade. Já quando escrevo e trabalho com livros... Ai, sim... Sinto-me totalmente em casa. Na minha casa. A despeito disso, continuo lendo, estudando, me informando e buscando me aprimorar na escrita dos roteiros. Como eu já disse, não é a minha casa, mas, se sou convidada para estar nela, então vou procurar cuidar bem do imóvel. Muito bem.
Voltando à Bienal, a verdade é que ela não deixa de ser um suplício em muitos aspectos. Ontem mesmo faltou pouco para eu não ser atropelada por uma manada de crianças e adolescentes que corria em desabalada carreira para ver uma celebridade do Big Brother que tinha aparecido por lá. Vamos combinar que ninguém merece. Tantos livros e tantos eventos interessantes acontecendo ali e eles atrás de uma celebridade do Big Brother... Além disso, é tudo muito cheio, lotado, difícil. O Anhembi é longe. Muito longe. O trânsito até lá é infernal. O táxi sai caro (não dirijo por absoluta incompetência, falta de senso de direção e consciência de que o mundo fica bem melhor sem que eu esteja num volante), o metrô e os trens exigem 500 baldeações...
Mas... Ainda assim, não resisto.





Sábado à tarde, 16 de agosto de 2008. Fernado Moraes autografa O Mago, biografia sobre Paulo Coelho.
Escrever biografias é um dos meus projetos de vida. Entre as que o Fernando Moraes escreveu, minhas preferidas são Olga, que li ainda adolescente, e Chatô - O rei do Brasil. Gosto demais do trabalho do Ruy Castro também, especialmente O anjo pornográfico, que nos brinda com a vida absolutamente cinematográfica de Nelson Rodrigues.


Sábado à noite, 16 de agosto. Marcelo Rubens Paiva, o mediador Ricardo Soares, Guilhermo Arriaga (roteirista de Babel e 21 gramas), Lusa Silvestre e Marcos Jorge (respectivamente roteirista e diretor do festejado longa Estômago - que eu ainda não vi - debatem sobre a profissão de roteirista no Brasil e no mundo. Cheguei atrasada, o auditório do Salão de Idéias já estava lotado e a foto ficou péssima... Nem consegui enquadrar o Lusa e o Marcos. No frigir dos ovos, até que eu gostei do debate, mas esperava um pouco mais do Arriaga. O público também não perguntou nada relevante. E como eu era parte do público, isto é um mea culpa.


Quinta-feira, 21 de agosto, às 11h.
Ai, ai... Obrigada a Deus e à Deusa por eu ter assistido - deleitada - a palestra maravilhosa dos escritores e ilustradores: Ângela Lago, Eva Furnari, Ivan Zigg e Fernando Vilela. Os quatro são considerados os papas da ilustração e do texto voltados ao público infantil. Como tenho muitos projetos de vida, escrever para este público também é uma meta. Na verdade, já escrevi cinco livros infantis. Só falta publicar (mero detalhe, claro :)). Nesta foto, você vê uma ilustração de Eva Furnari, apresentada em slide. Ampliem e vejam que coisa mais linda, mais cheia de graça...



As deusas Eva Furnari e Ângela Lago.



Ivan Zigg, figuraça, apresentando a ótima ilustração de seu livro A pulga atrás da orelha.



Fernando Vilela. Autor do excelente Lampião e Lancelot. Prêmios Jabuti de melhor capa, melhor livro infantil e melhor projeto gráfico. Comprei esse livro há uns três ou quatro meses e o considero uma obra de arte, verdadeira relíquia. Recomendo que apreciem sem moderação.


A mediadora do debate, jornalista Mona Dorf, mostrando ao público as ilustrações de Lampião e Lancelot. Esse foi o primeiro evento que presenciei na quinta, dia 21, na Bienal, onde permancei por nove horas. Isso mesmo: nove horas. Assisti a palestras, desfrutei da companhia de amigos queridíssimos que eu não via há séculos, fiz reuniões e compareci a eventos de trabalho. Como resultado, passei todo o dia de sexta-feira no maior prego e numa ressaca sem precedentes na história da minha vida. Faz sentido. Conforme já disse aqui: livro é a minha cachaça.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Carta à Cássia (e aos seus amores...)


Minha flor,

O que dizer em um momento como este?
Que palavras teriam o poder de consolar a sua dor?
De que maneira posso fazer deste texto um instrumento capaz de levar até seu coração – bem como ao coração de toda a sua família – um pouco mais de paz, serenidade, luz, aceitação, entendimento?

Eu não tenho respostas. O que tenho é minha vontade incontrolável de dizer o quanto meus pensamentos estão com vocês nesta hora tão difícil... Tão infinitamente propensa a questionamentos, dúvidas, revoltas e, ao mesmo tempo, aprendizagens, fortalecimento, união, iluminação.

Ao conversar com você ao telefone, agora há pouco, pude sentir o tamanho monumental da sua força. Da sua capacidade de lutar e de buscar o máximo de equilíbrio possível para atravessar esse verdadeiro turbilhão.

Como mãe, tento imaginar o que eu faria em uma situação semelhante... Mas, realmente, não chego a nenhuma conclusão porque imaginar é nada face certas realidades.

Nossa jornada pessoal é realmente única. Como o são as digitais e as marcas da alma e do coração. Cabe a cada um desvendar os mistérios impostos pela vida, decodificando dores, amores, sonhos, desejos, vivências. Porém é certo que, ao longo do caminho, as perguntas não cessam.

O que tudo isso quer nos dizer?
O que devemos aprender?
Como levantar após as quedas?
Como nos portar nas tempestades?
Devemos erguer os olhos aos céus e proferir impropérios?
Ou devemos respirar fundo e tentar, simplesmente, compreender?
De que maneira retirar facas do peito sem perder ainda mais sangue?
Como conseguir uma cicatrização mais rápida?
O que o Livro de Jó – que guarda, a meu ver, todas os exemplos de dores e superações do mundo – pode nos ensinar, independentemente de termos ou não uma religião?

Minha jornada pessoal tem me ensinado que o modo como vamos digerir as experiências e os resultados provenientes delas são realmente individuais. Ocorre que não precisam ser individuais as travessias. Muito ao contrário. Essas podem e devem ser compartilhadas. E pessoas como você têm a sorte de ter ao lado uma família maravilhosa e amigos que os amam muito... E para além disso, você foi abençoada, também, pela presença próxima de seres humanos em estágios muito avançados de evolução, como seu pai e sua mãe. Basta estar perto deles para perceber o quanto impregnam o ambiente de uma energia e uma luz incrivelmente raras. É como se fossem duas estrelas apontando, sempre, para melhores direções. Não conheço sua irmã tão bem, mas, estou certa de que ela comunga das mesmas centelhas de luz (ou não teria escolhido uma profissão que é pura doação e entrega...).

E quanto ao Rogério e ao Antônio... Está claro que estarão, o tempo todo, de mãos dadas com você, aprendendo, se fortalecendo e superando cada obstáculo, com a união que caracteriza as almas gêmeas.

Finalizo lembrando que todos estamos aqui para realizar nossa missão. Mas... Qual será mesmo essa missão? Teremos, um dia, a real consciência sobre isso?

Também não sei essa resposta, querida... Quisera eu. Mas tenho livre arbítrio. Posso arriscar um palpite, por exemplo. E arrisco dizer que a missão da sua filhinha Betânia é trazer ensinamentos sobre força, fé, esperança, superação, serenidade, entendimento e, principalmente, amor. Um entendimento pleno e inquestionável sobre os seus amores...

Um grande beijo e toda a força do mundo para vocês.

Gói, Mau, Yuri e Tatá.

segunda-feira, agosto 18, 2008

sexta-feira, agosto 15, 2008

O samurai e as gueixas




Ele caminhava a passos largos, pisando firme, como convém a um homem de verdade. Parecia sempre atrasado e atravessava a rua dividindo seu olhar entre o relógio, os carros e o ponto de ônibus logo à frente. Certamente sua intenção era verificar se ainda estávamos lá. Nós que éramos seus companheiros de itinerário, de segunda a sexta-feira, naquele improvável horário das 12h53 da tarde. Passageiros do ônibus 917-H – Metrô Vila Mariana.

Ao se dar conta de nossa presença, ele desacelerava o passo, relaxava o semblante e, aos poucos, dava início ao seu ritual vespertino. Chegava até o ponto e pousava sobre nós seus cortantes olhos orientais. Espadas que penetravam fundo, eliminando qualquer possibilidade de defesa. Sem dúvida um gesto calculado, seguido de um educado meneio de cabeça.

Ao se aproximar, era possível sentir seu perfume cítrico, com notas marcantes, dessas que embriagam as vítimas em questão de segundos. Devido ao meu exercício diário de observação aguda, dava até para ouvir os suspiros internalizados por todas as minhas companheiras de sexo e de transporte público. Só me restava ter pena do efeito devastador que aquilo deveria causar na estudante adolescente. Trajada com seu impecável uniforme escolar, talvez ainda não tivesse consciência do quanto era sexy e perturbadora, como uma personagem de mangá. Todos os dias era ela quem retribuía o olhar do samurai com uma expressão completamente apaixonada, lânguida e submissa. Diferente das demais, a coitadinha ainda não tinha idade nem experiência para usufruir do flerte de modo descompromissado e divertido. Faltava-lhe graduação em sedução e malícia.

Quanto a ele, não tinha mais de 25 anos e já se vestia de modo sóbrio, indicando uma profissão formal. Seria analista financeiro? Advogado? Executivo de contas? Por que ainda não tinha um carro? Mistérios paulistanos... O certo é que seus ternos obedeciam às cores mais tradicionais do sistema capitalista, uma vez que transitavam sempre entre o azul marinho e o preto. Era circunspecto ao extremo, como é pertinente aos samurais de todas as dinastias. Uma vez dentro do ônibus, ele se bastava. Não lia, não escutava música, não portava Ipod, pasta, laptop... Eram 35 minutos dedicados à contemplação e à arte de olhar pela janela. Enquanto isso, meu exercício preferido era imaginar o que se passava naquela cabeça nipônica adornada por lisos cabelos negros cortados à moda oriental do século 21: milimetricamente desalinhados, provocantes.

Certa vez sentei-me atrás dele e pude reparar em duas pintas marrons existentes em sua orelha direita, distantes cerca de um centímetro uma da outra. Ele passava a impressão de ser mesmo assim: completamente simétrico e cartesiano. Descia no mesmo ponto que eu, na Avenida Paulista. A bem da verdade, não éramos os únicos. Com algumas variações, cerca de 10 passageiros tinham ali o seu destino final. Dentre eles, várias mulheres.

Pouco antes de descermos – mais precisamente quando nos levantávamos em direção à porta –, o samurai, ciente de seu poder viril, novamente nos brindava com o brilho dilacerante de seus olhos de espada. E quem sabe por ter um caráter de despedida, ele o fazia com mais força e destreza, atingindo, conseqüentemente, profundidades maiores em nossos corpos. Tenho certeza de que, como eu, as outras mulheres desciam do ônibus um tanto mais pálidas e com uma incrível sensação de leveza. Era como se tivéssemos perdido, voluntariamente, litros e litros de sangue que se esvaiam naquela rápida e intensa troca de olhares. E nessa hora, restava a nós a estranha felicidade de sucumbir vencidas por aquele jogo delicioso – e de placar previsível – entre o samurai e as gueixas.

Goimar Dantas
São Paulo
17-07-08

quarta-feira, agosto 13, 2008

Haikai antifrio




Não importa a estação:
Na minha artéria
Pulsa um verão
Goimar Dantas
São Paulo
05-08-08

domingo, agosto 10, 2008

Sertão medieval



É comum encontrar o adjetivo “gênio” sempre que lemos algum texto ou ouvimos alguém se referindo ao músico baiano Elomar Figueira Mello. Avesso à televisão, são raros seus registros em vídeo. O melhor parece ser mesmo o do programa Ensaio, dirigido por Fernando Faro, na TV Cultura.

Desconhecido do grande público, Elomar passa a maior parte do tempo no sertão, na fazenda de sua família, próxima à cidade de Vitória da Conquista, na Bahia. O artista tem orgulho de permanecer boa parte do tempo cuidando de seu gado, alimentando a sua vasta cultura clássica e, claro, compondo óperas, antífonas, galopes e lindas cantigas que nos remetem à época medieval...


Formado em arquitetura, Elomar passou a vida tentando conciliar a profissão com a paixão pela música, de modo que o sustento de sua família pudesse ser garantido. É autor de uma obra vasta, boa parte dela assim classificada em um dos textos do seu site:

Música culta:

11 óperas;
11 antífonas;
4 galopes estradeiros;
1 concerto de violão e orquestra;
1 concerto para piano e orquestra - composto e a ser partiturado;
1 pequeno concerto para sax alto e piano - composto e partiturado;
1 sinfonia - quase toda composta;
12 peças para violão-solo.
As composições para violão na maioria já estão partituradas.
Cancioneiro:

Um caderno de oitenta canções, sendo que a maioria delas já se encontram gravadas e uma pequena parte inédita.
Óperas:
Bespas Esponsais Sertana - São cinco trágicos que se encontram nos seguintes estágios:
A Carta - ópera com 4 cenas, compostas e partituradas;
A Casa das Bonecas - composta e 30% partiturada;
Faviela - toda composta e nada partiturada;
O Peão Mansador - composta e a ser escrita;
Os Poetas são Loucos (mas conversam com Deus) - composta em partes;
Auto da Catingueira - composta, partiturada e gravada em disco.


O artista tem diversos cd’s nos quais mantém belíssimas participações com outros menestréis brasileiros, tais como Xangai, Vital Farias, Alceu Valença e Geraldo Azevedo.
É leitor voraz e, ainda de acordo com seu site, dentre suas preferências literárias estão:
“(...) livros de astronomia, enciclopédias, vasta literatura da área do realismo fantástico, em meio a Popolvu, o Bagavad Levita, O Livro dos Mortos, a Thorah, fragmentos do Corão, trabalhos vários sobre as Estâncias de Dilian, o livro de Toth, civilizações estelares que habitam os derradeiros subúrbios do espaço físico euclidiano e muito mais aspectos físicos e espirituais...”
Elomar é um grande músico e um poeta maravilhoso... E faz realmente muito tempo que eu devia esse post a ele.
Com vocês, Elomar.


sexta-feira, agosto 08, 2008

A nossa história

Aqui em casa todos estamos muito emocionados. O motivo é a matéria "Ele recebeu um convite da vida, e aceitou", publicada hoje na Intranet do Senac São Paulo e assinada pela jornalista Débora Valente. O texto conta a história de nossa família como parte de uma série de matérias especiais com foco no Dia dos pais.

O conteúdo da Intranet do Senac São Paulo é disponibilizado apenas para funcionários da instituição. Para ler é necessário senha, cadastro etc. Meu bem, meu "Mau" me mandou a matéria colada na mensagem do e-mail e, como é cheia de fotos, não deu para eu inserir aqui de forma direta. Vou reproduzi-la de maneira mais caseira - juntando o texto, algumas fotos e legendas usadas na matéria. Afinal, o que vale é o conteúdo.

Temos muito orgulho de nossa história. De nossos filhos. De nossa princesa índia que nos foi dada de presente pelos caminhos do coração.



Maurício e Tatá no dia em que se conheceram. No Lar das Crianças Favos de Luz


"Um pai, ainda que o mais pobre, tem sempre uma enorme riqueza para deixar ao filho: seu exemplo". A frase, do escritor Coelho Neto (1864-1934), também autor da célebre estrofe "Ser mãe é padecer no paraíso", retrata bem a missão que norteia a vida de pais conscientes e participativos, como o gerente Maurício da Silva Pedro, da Gerência de Atendimento Corporativo (GAC).
Pai de Yuri, de 12 anos, e lutando pela guarda definitiva de Tailane, ou Tatá, de 10, acredita que a vida gira em torno dos filhos e os bons exemplos são fundamentais para eles se tornarem adultos melhores. "Quando fazem algo inadequado, coloco a mão na consciência para ver se não tenho uma parcela de culpa na história. Tento mostrar o erro como algo humano e também que nem tudo é correto. Quem não cria limites e não está por perto para acompanhar o desenvolvimento do filho não entende as atitudes dele no futuro", reflete.

O pai passeia com os filhos Yuri e Tailane

Com 37 anos, o gerente da GAC mescla idéias maduras e joviais numa composição que considera adequada para exercer a paternidade e, ao mesmo tempo, ser amigo de seus filhos. Procura estar próximo, fazer parte das brincadeiras e aproveita para transmitir seus valores, mostrando um mundo além da realidade que vivenciam. "Tenho consciência que eles serão diferentes de mim e da Goimar, minha esposa, e acho isso ótimo, pois terão a oportunidade de se desenvolverem mais. Contribuir com a formação de outro ser humano é uma tarefa de grande responsabilidade, mas a cumprimos com muito orgulho", conta.

Percorrendo novos caminhos - Maurício sempre quis ter a casa cheia, porém isso era mais sonho que objetivo. Depois do nascimento de Yuri, numa gravidez não planejada, mas muito bem-vinda, sua mulher resolveu não ter mais filhos, pois não queria enfrentar novamente as angústias pelas quais passou como mamãe de primeira viagem. E, ao longo desses anos, o menino descrito pelo pai como compreensivo, animado e extremamente generoso, encheu a vida do casal de alegria.
Até que num domingo frio de setembro, há três anos, a família aceitou o convite da amiga Valéria Queiroz, técnica de desenvolvimento profissional da Gerência de Comunicação e Relações Institucionais (GCR), para preparar um café da tarde no Lar das Crianças Favos de Luz, na zona leste da capital. Depois de algum tempo na casa, brincando e se emocionando com o carinho dos pequenos, algo chamou sua atenção numa menina tímida, que se escondia quando alguém tentava tirar uma foto sua. Maurício se aproximou dela, seguido pela esposa e pelo filho. Somente no colo de Goimar, ainda um pouco acanhada, ela se deixou fotografar e esse foi o primeiro registro da garotinha com sua futura família.
"No meio de várias crianças, aquela menina nos atraiu como um ímã. Realmente é inexplicável, até o Yuri sentiu isso", recorda. Na despedida, Tailane os abraçou com extremo carinho e os três foram embora sabendo que algo em suas vidas havia mudado. As visitas ao Lar tornaram-se freqüentes e, a partir dali, resolveram requerer a autorização para levá-la um sábado e domingo com eles. Nove meses depois, o juiz atendeu a solicitação do casal. Após cinco fins de semana de cumplicidade, não tiveram dúvida e entraram com o pedido de guarda provisória.


A família está ansiosa pela decisão da Justiça, que dará a guarda definitiva de Tailane ao casal

Nos últimos dois anos vivendo juntos, os quatro estão ansiosos pela decisão final da Justiça sobre a guarda definitiva. Maurício diz que nem pensa na hipótese de o processo de adoção não dar certo. "A Tatá só nos acrescentou coisas boas e é uma esponjinha, está sempre absorvendo o que temos para oferecer. E é muito bom tê-la conosco, depois da felicidade de ter esse menino maravilhoso, estou experimentando as alegrias de ser pai dessa garotinha linda. Bem que todo mundo diz que filha é mais apegada ao pai!", comemora.

quinta-feira, agosto 07, 2008

terça-feira, agosto 05, 2008

Às margens do Tâmisa


Em setembro do ano passado estive em Londres e na Escócia. Sem dúvida a melhor viagem da minha vida. Aos poucos vou postando aqui algumas fotos e textos que escrevi quando voltei de lá. Foram muitas impressões, passeios, sensações. Em Londres, um dos roteiros mais divertidos foi passear às margens do Rio Tâmisa. Por toda a extensão do famoso rio londrino, artistas realizam performances. Umas maravilhosas, outras nem tanto.
Mas, independentemente da habilidade dos performers, é bom caminhar por entre quadros, mímicos, clowns, bailarinas, malabares, estátuas vivas, cantores, instrumentistas, desenhistas... Toda forma de arte é bem-vinda e faz um bem danado para os sentidos. Eu adorei, especialmente, uma moça delicada, vestida com indumentária do século XIX e maquiada como uma boneca. Era uma imagem tão bonita em meio àquelas árvores todas que eu... Eu... Bem... Fiquei tão embasbacada que esqueci completamente de fotografar...
Aliás, deixei de fotografar muita coisa em Londres... Muito para ver, absorver, aproveitar. Eu passava horas sem lembrar que a máquina estava na bolsa. Sofro quando penso que também deixei de registrar o trabalho esplêndido de uma pintora que reproduzia quadros clássicos no chão da calçada, ainda às margens do Tâmisa. Compenetrada, ela nem dava bola pra gente... Apenas prosseguia em seu estado de quase transe.

Mas, ao contrário de mim, meu bem meu “Mau” já tinha fotografado e visto muito. Estava em Londres há quase dois meses e me levou pra ver uma outra moça, que o deixara encantado dias antes. Uma espécie de malabarista/bailarina/contorcionista. Seu instrumento de trabalho, além do próprio corpo, eram aquelas bolas de vidro que parecem nada pesar e que escorregavam num vaivém obediente pelos braços da moçoila. Senti ciúmes da habilidade que ela tinha de se mover como quem flutua, ao som de uma música hipnótica... Em pensar que o máximo a que chego são algumas posições de Yoga...

video

sábado, agosto 02, 2008

Legado


Aqui estou.
Contando histórias.
Lá atrás: memória.
À frente: o tempo.
E em meio a isso,
no sempre intenso:
o traço,
a tinta,
papel e letra...
Meus instrumentos.
Pérolas nobres
na concha aberta
que é minha alma.
Caderno etéreo
onde eu escrevo
meu testamento
de sentimentos...
E a grande herança
que ofereço
é tudo o que tenho.
Tudo o que deixo:
Baú de textos,
mar de palavras...

Goimar Dantas
São Paulo
29-07-08