sábado, janeiro 31, 2009

Poesia concreta



A parte que me cabe neste latifúndio é o espetáculo do crespúculo, que sempre vence o cinza e inunda de beleza a paisagem que pode ser vista, com frequência, da varanda aqui de casa. O prédio em reformas, localizado entre minha visão e o céu, até que se esforça, mas não consegue tirar a magnitude da cena. No máximo, empresta a ela um quê de "poesia concreta". E talvez seja assim porque acredito que na vida a gente vê aquilo que quer ver. E eu, definitivamente, vim ao mundo pra descobrir poesia, onde quer que ela esteja. E que assim seja. Amém!

Em tempo: fiz essa foto agora há pouco, após ter passado boa parte da tarde deste sábado finalizando a leitura de um livro, na cadeira de balanço da minha varanda. Ter esse tempo disponível (coisa tão rara...), aliado a essa paisagem deslumbrante, fizeram deste final de janeiro um evento, literalmente, inesquecível.

Goimar Dantas
São Paulo
31-01-09

sexta-feira, janeiro 30, 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Chega de saudade



Esta semana assisti Chega de saudade (2008), um filme maravilhoso da Laís Bondanzky, diretora do premiado Bicho de sete cabeças (2000). Sempre achei Laís uma mulher incrível, cujos projetos ultrapassam a fronteira das películas cinematográficas para repercutir, também, sobre o território social. É assim com o projeto Cine Tela Brasil, que desenvolve junto com o marido, o roteirista Luiz Bolognesi. Juntos, eles percorrem, desde 2005, cidades do interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, levando cinema às comunidades carentes. Ao chegar às pequenas cidades com um caminhão, contendo uma tenda de 13m x 15m, 225 cadeiras, tela, ar condicionado, som e equipamento profissional, os dois apresentam longas-metragens nacionais e abrem espaço para discussões e debates. Não à toa, Laís foi uma das personagens escolhidas para o livro Mulheres que fazem São Paulo (Editora Celebris, 2004), que escrevi em parceria com a jornalista Viviane Pereira.


A diretora Laís Bodanzky e o o roteirista Luiz Bolognesi


Apesar de ser fã de carteirinha de Laís, não consegui assistir Chega de saudade no cinema e tive de esperar pelo lançamento em DVD. A espera valeu à pena! O filme é lindo! A sensibilidade de Laís (na direção) e de Luiz Bolognesi (que assinou o roteiro) possibilitou a criação de um filme, ao mesmo tempo, denso e delicado, abordando o universo dos chamados bailes de dança de salão, também conhecidos como bailes da saudade, geralmente voltados ao público da terceira idade. Laís e Luiz lançaram luzes sobre temas universais como amor, ciúme, infidelidade, sexo, carência, desejo e rejeição, mas com o diferencial de o fazerem sob a ótica de personagens geralmente descartados pelo cinema, pelos livros, novelas etc... Afinal, para a maioria das produções, quem tem mais de 60 anos é literalmente jogado às traças. Nesse contexto, diretora e roteirista foram ousados e inovadores.

O mais incrível é que tudo é exposto de forma não-linear, dispensando até mesmo a figura típica do protagonista. Imagino que deve ter sido dificílimo filmar uma história, por assim dizer, circular, sem núcleo, ao som constante de música e tendo como pano de fundo temporal as poucas horas de duração de um único baile. É pura magia ver o modo como as histórias vão surgindo, se entrelaçando e permitindo que cada um dos personagens conquiste o público de maneira arrebatadora. E o mais curioso é que isso aconteça sem que saibamos, ao certo, quem são essas pessoas. Afinal, grande parte das personagens não tem história pregressa, profissão, sobrenome. Em meio a isso, a câmera transita faceira por todas as direções, ora enfocando os dramas de um casal, ora evidenciando as alegrias e seduções de outro. Uma loucura...


Os casais Paulinho Vilhena e Maria Flor e Tônia Carrero e Leonardo Villar

Leonardo Villar (o inesquecível protagonista de O pagador de promessas, primeiro filme brasileiro a vencer o Festival de Cannes, dirigido por Anselmo Duarte) está surpreendente ao lado de Tônia Carrero. Stepan Nercessian, por sua vez, também está M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O como o galanteador Eudes, cujo objetivo maior em todo o filme é conquistar a jovem Maria Flor. É lindo ver como a personagem dela (Bel), uma garota de 20 anos que vai parar ali por acaso acompanhando o namorado (o técnico de som interpretado por um competente Paulinho Vilhena), se deixa levar pela lábia do cinquentão Eudes (Stepan). Incrível como o filme consegue transmitir o clima de sedução crescente entre esses dois personagens, à primeira vista, tão díspares... E ainda tem Cássia Kiss (como Marici), Betty Faria (como Elza) e Clarice Abujamra (dando vida à Rita)... Impagáveis também.


Maria Flor(Bel), cortejada, no filme, por Stepan Nercessian (Eudes)

E o que dizer da trilha sonora caprichadíssima??? Só pra ter uma ideia, a vocalista da banda que anima o baile é ninguém menos do que a cantora Elza Soares, em ótima performance. Já a direção de fotografia, assinada pelo genial Walter Carvalho, optou pelo estilo realista, beneficiando a atuação em detrimento da estética dos atores. Confesso que senti certa estranheza no começo, tamanha a revelação dos suores, rugas e maquiagens meio borradas, exageradas... Mas, depois de uns minutos, a gente percebe que era mesmo essa a intenção. Um baile real, com pessoas reais. Até porque à exceção dos atores centrais, os demais dançarinos eram todos frequentadores legítimos de bailes de dança de salão, selecionados em salões espalhados por toda São Paulo.

Se ainda não viu, fica a sugestão (veemente) desta potiguar que vos escreve.

Abaixo, o delicioso trailer do filme pra vocês.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Objeto de desejo


In the sunlight, óleo sobre tela, 120CM X 180CM, autor: John Nicholson

Faz três anos que descobri as pinturas figurativas de John Nicholson, americano radicado no Brasil, que atuou como professor da Escola de Artes Visuais Parque Lage, no Rio de Janeiro, até 2004. Meus quadros preferidos do artista compõem uma série sobre figuras femininas. Um mais bonito que o outro, na minha opinião. Se quiser conhecê-los, basta clicar aqui, em seguida, selecione os anos de 2005 e 2006 e, finalmente, clique em "ver". Aconselho vivamente esse passeio visual. É um deleite, acredite.

A bem da verdade, eu queria toda essa série pendurada nas paredes da minha casa, de modo que pudesse acordar e olhar para cada um desses quadros, suspirando fundo e concluindo que a vida é, no mínimo, um lindo espetáculo de cores e formas. Porém, se eu tivesse de escolher apenas um deles, o eleito seria o maravilhoso "In the sunlight", esse aí de cima. Não sei quanto custa, não sei se está em galeria ou coleção particular. Já mandei um e-mail pro artista perguntando o paradeiro dessa obra, mas ele nem "tchuns" pra me dar resposta... E isso já faz mais de um ano. Enfim... Deve ser uma fortuna para os meus padrões, mas, não tô nem aí. Gosto de saber o valor dos meus sonhos - pelo menos os que são mensuráveis em cifras, é claro. A ideia é que eu tenha um panorama real do que preciso fazer pra conquistá-los. No mais, é trabalhar, trabalhar, trabalhar e... Quem sabe um dia...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Registro de uma saudade




Querido pai,

hoje sua ausência física completa mais um ano. Agora já são 23. Uma vida inteira...
O curioso é que por mais que os anos sem você se acumulem sobre meus ombros, memória e coração – que vão se transformando ao sabor do tempo e das experiências –, algo ainda permanece inalterável: a sensação de ser uma eterna menina precisando, sempre, do seu carinho.

Onde estiver, receba o beijo da sua

Gói
São Paulo
26-01-09

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Haikai in natura




Ao olhar a chuva torrencial
vi jorrar poesia lírica
na poça prosaica do meu quintal.


Goimar Dantas
Artur Nogueira
17-01-09

terça-feira, janeiro 20, 2009

Haikai para o escritor angolano




(para José Eduardo Agualusa)


Palavras luzem
Nas profundezas
De Agualusa.

Goimar Dantas
Artur Nogueira
17-01-09


Sobre este haikai: há anos venho acompanhando as entrevistas concedidas pelo escritor angolado José Eduardo Agualusa, principalmente quando ele está no Brasil. Porém, só em 2008 consegui ler um de seus livros. E foi uma experiência e tanto. Trata-se do ótimo As mulheres do meu pai, que nos transporta ao continente africano com uma história tão interessante quanto bem narrada.

Agualusa se divide entre África, Portugal e Brasil, país pelo qual é apaixonado. Talvez por isso busque, cada vez mais, solidificar seus vínculos por essas terras. Prova disso é a abertura da editora brasileira Língua Geral, que se propõe a publicar autores de língua portuguesa espalhados pelo mundo. Vale a pena conhecer mais sobre o escritor visitando seu site. Para isso é só clicar aqui. E foi justamente do site de Agualusa que retirei o texto a seguir, resumindo o enredo de As mulheres de meu pai, cuja acolhida por parte da crítica foi excelente.

"Faustino Manso, famoso compositor angolano, deixou, ao morrer, sete viúvas e 18 flhos. A mais nova destes, Laurentina, diretora de cinema e documentarista, tenta reconstruir a atribulada vida do falecido músico.
Em As mulheres do meu pai, realidade e ficção correm lado a lado, a primeira alimentando a segunda. Nos territórios que José Eduardo Agualusa atravessa, porém, a realidade é quase sempre mais inverossímil do que a ficção. Os quatro personagens do romance que o autor escreve, enquanto viaja, vão com ele de Luanda, capital de Angola, até Benguela e Namibe; cruzam as vastas areias da Namíbia e as suas povoações fantasmas, alcançando, fnalmente, a festiva Cidade do Cabo, na África do Sul. Continuam, depois, rumo a Maputo, e de Maputo a Quelimane, junto ao rio dos Bons Sinais; dali até à pequena ilha mágica, onde morreu o poeta Tomás Antônio Gonzaga. Percorrem, nesta deriva, paisagens que fazem fronteira com o sonho e das quais emergem, aqui e ali, os mais estranhos personagens.
As mulheres do meu pai é um romance sobre mulheres, música e magia. Anuncia-se, nestas páginas, o renascimento de África, continente afetado por problemas terríveis, mas abençoado pelo talento da música, o sempre renovado vigor das mulheres e o secreto poder de deuses muito antigos".

segunda-feira, janeiro 19, 2009

A beleza das parcerias inusitadas



Só ontem tomei conhecimento dessa parceria inusitada entre Vanessa da Mata e Chorão, vocalista da banda Charlie Brown. Assisti a reprise do show meio por acaso, na MTV, e fiquei chapada - pra dizer o mínimo. Do ponto de vista das minhas preferências, sou mais a Vanessa, mas quero registrar que sempre achei o Chorão uma potência dentro do estilo musical ao qual pertence. E para além disso, o cara tem uma energia fora de série no palco. Tiro o chapéu, a boina e o boné. E nessa parceria, rolou uma química e uma vibração incríveis por parte dos dois.

Nesse vídeo, em específico, vemos a junção de duas músicas: O senhor do tempo, do Charlie Brown, e Não me deixe só, da Vanessa da Mata. Reparem na energia sempre crescente que domina a cena e observem como tudo terminou na ainda mais inusitada mistura de Rap com o ritmo do Candomblé. D-E-M-A-I-S! Aumente o volume.

domingo, janeiro 18, 2009

O fantástico mundo dos universos paralelos


Rua charmosa que fotografei em Edimburgo, em 2007.

Essa semana sonhei que estava na Escócia passeando por Edimburgo numa noite cálida de Verão. Já era madrugada nas terras altas, mas, em meu sonho, o sol ainda brilhava, encantando tanto turistas quanto a população local. Os cafés e pubs estavam lotados e uma alegria literalmente onírica podia ser vista sob a forma da luz extraordinária que emanava do rosto e do sorriso de todos.

Em meio a essa atmosfera, me vi de mãos dadas com um adolescente que não devia ter mais de 16 anos. O rapaz tinha a pele clara, aspecto sisudo e cabelos castanhos. De repente, como só acontece em sonhos, ele virou “Ela”. E assim, o jovem de feições circunspectas se transformou em uma mocinha pequena, também de pele clara, de cabelos curtos e cílios longos. E é fundamental destacar que todos os seus pelos tinham um tom ruivo absolutamente perturbador. Seus olhos, nariz e boca eram delicados e feminis, contrastando com seu jeito um pouco masculinizado de andar e de se vestir. E entre o cabelo vermelho e a camiseta verde escura da minha cicerone o que se via era um pescoço perfeito – como que esculpido por um gênio da renascença italiana. O conjunto da obra era arrematado pela leveza característica do estado de espírito da moça, felicíssima por poder me mostrar as delícias de uma Edimburgo que só ela parecia conhecer.

Como não poderia ser diferente, me deixei levar por suas mãos de fada. Mãos de uma suavidade quente e maternal, do tipo cujo calor penetra em nossa pele viajando pelas veias na velocidade da luz, até que explode em ternura ao chegar ao coração. Ela não me disse seu nome e eu tampouco perguntei. E acredito que essa ausência de apresentações se deva ao fato de que nos sonhos o que importa é o prazer que se vive e não a identidade que se tem.

E nesse cenário, tomadas por uma sensação mágica, seguimos por entre ruas, becos, lojinhas, cafés e restaurantes. Ambientes que primavam pela beleza e também pela decoração aconchegante, sempre repleta de flores e objetos dignos de quadros impressionistas. Lembro que a última parada do sonho foi numa loja que vendia os souvenirs mais lindos do mundo. Ali mesmo, nos posicionamos à frente de um pequeno aquário que pertencia à proprietária do local, uma senhora simpática e afável. Três peixinhos dourados, com listras pretas, esbanjavam vivacidade no espaço ínfimo que possuíam para se exibir. Mergulhei os olhos no colorido dos bichinhos e, em meio à infinita simbologia da água, o passeio e o sonho chegaram ao fim.

Acordei com uma sensação de extrema felicidade, dessas que só costumam nos acometer em duas ocasiões distintas: na infância (sem que seja preciso nenhum motivo especial) e já na fase adulta, quando se vive a iminência de um novo amor/paixão. E por isso mesmo, aquela Edimburgo noturna e solar, assim como a moça pequenina dos cabelos e cílios de fogo, hão de viver pra sempre no meu coração e na minha memória. Lugares que dispõem de um espaço grande e confortável, especialmente projetado para abrigar as aventuras que vivo no fantástico mundo dos universos paralelos.

Goimar Dantas
São Paulo
16-01-09

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Reforma ortográfica



Entrevista do poeta e tradutor Paulo Henriques Britto e da escritora e também tradutora Tatiana Salem Levy para o programa Entre aspas, da Globonews, comandado pela jornalista Monica Waldwogel. O tema abordado é a reforma ortográfica. Pesquei lá no blog Caquis Caídos, da escritora Adriana Lisboa. Ainda estou cheia de dúvidas sobre a reforma e quanto mais puder ler e ouvir comentários e análises a respeito, melhor.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Haikai de formação



Em meu coração,
ainda sob a forma de um tema,
desabrocha, aos poucos, a flor de um novo poema.

Goimar Dantas
São Paulo,
15 de janeiro de 2009


Sobre a imagem: hibisco rosa que fotografei, dia desses, entre um trabalho e outro, na rua Monte Alegre, no bairro de Perdizes, em São Paulo.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

A última que morre



Acordei ao som da sinfonia.
Grossas gotas de chuva
caíam densas
sobre o telhado de vidro.
E uma vez desperta,
me vi inundada pela recordação
do amor perdido.
Há dias meu peito estava encharcado,
oprimido,
afundado em mágoas.
E do coração
(pulso pleno de saudade)
escorriam gotas vermelhas e acres.
Mas a alma estava lavada, afinal,
eu tentara de tudo e
esgotara as possibilidades.
E o fato de não carregar nenhuma culpa
trazia, por si só, certo alívio.
Quanto ao sofrimento e a dor...
Esses decerto não durariam para sempre.
Lá fora,
trovões bradavam
sem me assustar.
Pelo contrário:
eram como acordes de compaixão
a me fazer companhia.
Ao longe,
um som de repicar de sinos
anunciava a morte da tristeza
(e também o nascimento de uma nova mulher).
Como um recém-nascido, chorei,
a plenos pulmões,
espantada e feliz por ver,
à minha frente,
esboços de um novo mundo.
E assim, aos primeiros sinais do amanhecer,
fez-se a luz interior,
que atendia pelo nome de Esperança.

Goimar Dantas,
São Paulo
em 21-08-07

domingo, janeiro 11, 2009

Mais Salvador



Fiquei apaixonada por toda a região do Centro Histórico de Salvador. Passei uma tarde lá e voltei dois dias depois pra conferir mais museus e atrações. Uma energia diferente contagia os ambientes e as pessoas. Por todos os cantos, turistas fotografam, filmam e se deixam impregnar pela atmosfera artística da região, repleta de lojas de quadros, artesanto, gente cantando, tocando... O Pelourinho é um show à parte e, nesse dia, dezenas de crianças do grupo Olodum se preparavam para o ensaio que aconteceria logo mais à noite. Foi lindo passear por lá em meio aos batuques, risadas e agitação da molecada.


Meu bem meu "Mau" fez essa foto da paisagem próxima ao Mercado Modelo quando estava devidamente instalado no segundo andar do belíssimo Museu da Misericórdia. Não podíamos fotografar o Museu, mas gostaria de registrar que se trata de uma visita obrigatória pra quem for a Salvador. O Museu fica na antiga sede da Santa Casa de Misericórdia e mescla informações sobre a história social da cidade, saúde, arquitetura, religião e arte. Destaque para as guias. Todas muito bem preparadas para explica tudinho e responder qualquer pergunta dos turistas. Imperdível.



Eu simplesmente caí de amores pela ladeira de São Francisco Xavier, também no Centro Histórico de Salvador. A enorme quantidade de casas de câmbio, associada à beleza do local, talvez explique a maior concentração de turistas estrangeiros neste trecho do Centro. O charme das lojinhas e das sorveterias certamente também atrai os visitantes que, ao final da ladeira, deparam com a incrível Igreja de São Francisco, inteirinha trabalhada em estilo Rococó. A cor dourada do ouro predomina em seu interior, repleto de desenhos, esculturas e relevos. Tive um treco e não segurei o choro... Para mim, muito mais do que uma expressão religiosa, aquela Igreja é um trabalho artístico e arquitetônico impressionante. Não pude tirar fotos, mas ficam aqui minhas impressões e a recordação de minhas lágrimas. Em tempo: esclareço que acho o fim da picada a Igreja Católica gastar rios de dinheiro construindo templos caríssimos, mas, como muitos deles se transformaram em arte, acabo encarando todos como museus. Espéceis de patrimônios públicos onde é possível saber mais sobre História, Civilização, Cultura.



Conhecer a Fundação Casa de Jorge Amado foi a realização de um sonho. O acervo é composto por milhares de fotos de Jorge, Zélia e de suas andanças pelo mundo. Da mesma forma também vemos edições antigas de seus livros, pôsteres e exemplares das edições internacionais, o fardão usado por Jorge na Academia Brasileira de Letras, condecorações e uma interessante instalação com bonecas representando suas personagens mais famosas como Tieta, Gabriela e Teresa Batista. O curioso é que não sou uma grande leitora do autor. Infelizmente, devo ter lido uns cinco, seis livros dele, no máximo. Porém, como os li na adolescência, a força dessas obras acabou me marcando muito e exercendo um forte impacto sobre mim naquela época. Como a maioria das pessoas, comecei por Capitães de Areia e fiquei caidinha de amores por Pedro Bala, o protagonista. Depois, aos 15, li Jubiabá e a seqüência se deu com os três volumes do ótimo Subterrâneos da liberdade. Um pouco mais tarde, aos 20, li Farda, Fardão, Camisola de dormir. Daí pra frente, o trabalho, as exigências específicas da faculdade e tudo o que veio depois acabaou me apartando um pouco dos livros de Jorge...

Ainda na adolescência, também tive uma queda por Zélia Gattai, uma vez que interpretei a autora na adaptação para teatro da obra Anarquista Graças a Deus, durante o Ensino Médio.
Acabei conhecendo o casal em 1998, quando estive a trabalho no Salão Internacional do Livro, em Paris. Jorge já estava bem doente e com problemas de audição. E em meio ao burburinho da Feira, Zélia, muito amorosa, tratava de repetir cada frase de nossa conversação em tom bem alto, próxima ao ouvido dele. Contei à Zélia sobre minha audácia juvenil em interpretá-la, trocamos impressões, tiramos foto, rimos... Mas, horas mais tarde, um ladrão marroquinho acabou com minha festa e levou minha bolsa, minha máquina fotográfica e meus documentos no restaurante da Feira. Só eu mesmo... Sem lenço e sem documento, em Paris... Os fotos com o casal se foram, mas a recordação de Jorge e Zélia, essa ninguém rouba de mim. Sem chance.



Tatá flutuando em meio ao colorido das milhares de fitinhas que os devotos amarram à frente da linda Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. Cada fita simbolizando um pedido. Eu amarrei logo três...



Sei não, mas algo me diz que tá pra nascer uma arraia mais fofa e mais exibida do que essa aí, que fotografei no Projeto Tamar, na Praia do Forte. Não é lindinha, a danada?



E essa era a vista que nós tínhamos do quarto do hotel. Vou dispensar as palavras
aqui.


Abaixo um pouquinho do clima do Pelourinho pra vocês.
video

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Curso de literatura com Ricardo Lísias


O escritor Ricardo Lísias

Comecei o ano bem. Além de poder descansar aproveitando as belezas, a história, os museus, a culinária e as demais opções de passeio, cultura e diversão aqui em Salvador, recebi um e-mail maravilhoso com a programação do curso promovido pelo escritor e doutor em literatura, Ricardo Lísias, a ser realizado em São Paulo. Fiquei muito animada com a descrição dos temas e os autores escolhidos e já tratei de reservar minha vaga, claro.

Ano passado, após ler um livro de Lísias e participar de um bate-papo com o escritor, escrevi um texto aqui no blog falando um pouquinho das minhas impressões sobre o autor. Basta clicar aqui para ler. Você também pode obter mais informações sobre ele no ótimo site do Jornal de Poesia. Para isso, clique aqui.

Abaixo, a programação do curso. Para quem desejar saber mais, é só mandar um e-mail para rlisias@yahoo.com.br


PANORAMA DA LITERATURA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

Curso Livre
Segundo ano!


Sempre às segundas-feiras às 20 horas

Fevereiro
Dia 02: Encontro 1 - Charles Baudelaire, As flores do mal
Dia 09: Encontro 2 - F. Dostoiévski, Memórias do subsolo
Dia 16: Encontro 3 - Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas
Dia 23: feriado de Carnaval

Março
Dia 02: Encontro 4 - José Hernandez, Martin Fierro
Dia 09: Encontro 5 - T. S. Eliot, Poesia
Dia 16: Encontro 6 - Marcel Proust, Em busca do tempo perdido
Dia 23: Encontro 7- Fernando Pessoa, Obra poética
Dia 30: Encontro 8 - James Joyce, Ulysses

Abril
Dia 06: Encontro 9 - Virgínia Woolf, Rumo ao farol
Dia 13: Encontro 10 - Franz Kafka, O processo
Dia 20: Encontro 11 - V. Maiakóvski, Poemas
Dia 27: Encontro 12 - Robert Musil, O homem sem qualidades

Maio
Dia 04: Encontro 13 - Bertolt Brecht, Santa Joana dos Matadouros
Dia 11: Encontro 14 - Jorge Luis Borges, Obra completa
Dia 18: Encontro 15 - William Faulkner, O som e a fúria
Dia 25: Encontro 16 - Graciliano Ramos, Vidas secas

Junho
Dia 01: Encontro 17 - Jean Paul Sartre, A náusea
Dia 08: Encontro 18 - Albert Camus, O estrangeiro
Dia 15: Encontro 19 - Carlos Drummond de Andrade, Obras completas
Dia 22: Encontro 20 - Samuel Beckett, Molloy e Esperando Godot
Dia 29: Encontro 21 - Miguel Angel Astúrias, Sr. Presidente

Agosto
Dia 03: Encontro 22 - Antonin Artaud, “Para acabar com o julgamento de Deus”
Dia 10: Encontro 23 - Walter Benjamin e Theodor Adorno, “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica” e A dialética do esclarecimento
Dia 17: Encontro 24 - Paul Celan e Primo Levi, Cristal e É isto um homem?
Dia 24: Encontro 25 – Tennessee Williams e Edward Albee, Um bonde chamado desejo e Quem tem medo de Virgínia Woolf
Dia 31: Encontro 26 - Guimarães Rosa, Grande sertão: Veredas

Setembro
Dia 07 – feriado de Independência
Dia 14: Encontro 27 - Julio Cortázar, O jogo da amarelinha
Dia 21: Encontro 28 - Truman Capote, A sangue frio
Dia 28: Encontro 29 - Dylan Thomas, Poemas reunidos

Outubro
Dia 05: Encontro 30 - Juan Rulfo, Pedro Páramo
Dia12: feriado de Nossa Senhora Aparecida
Dia 19: Encontro 31 - Jean Françoise Lyotard e Fredric Jameson, A condição pós-moderna e Pós-modernismo
Dia 26: Encontro 32 - Juan Carlos Onetti e Roberto Bolaño, Junta-cadáveres e Noturno do Chile

Novembro
Dia 02: feriado de finados
Dia 09: Encontro 33 - Luandino Vieira, Luuanda
Dia 16: Encontro 34 - Thomas Pynchon, O arco-íris da gravidade
Dia 23: Encontro 35 - Giorgio Aganbem, Estado de exceção
Dia 30: Encontro 36 - Thomas Bernhard, O náufrago

Dezembro
Dia 07: Encontro 37 - Antonio Lobo Antunes, Os cus de Judas
Dia 14: Encontro 38 - Edward Said, Orientalismo
Dia 21: Encontro 39 - John Maxwell Coetzee, Desonra


O curso funciona através de 39 encontros, com apresentações expositivas sobre os autores por uma hora e trinta minutos, em média. Depois , há mais trinta minutos para as perguntas.

Local: Rua Cristóvão de Burgos 52 (a 50 metros do metrô Vila Madalena)
Horário: às segundas feiras, das 20 às 22 horas
Valor: 180 reais por mês (com exceção do mês de julho, quando não há encontros)
Vagas: 25

Ricardo Lísias é escritor, autor de, entre outros, Duas praças e Anna O e outras novelas. Colabora regularmente com diversos jornais e revistas.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Férias soteropolitanas



Praia do Farol da Barra, no último sábado, aqui em Salvador, Bahia.


Eu, com a deusa Edilene, no tradicional restaurante Iemanjá. A simpatia das meninas que trabalham no restaurante é fora de série. Riso solto, competência e beleza.



Ainda não acredito que fiz essa foto, captada quando eu passava pela Praia de Pituba... Achei essa cena incrivelmente poética e agradeci a todos os orixás por tê-la presenciado, mesmo de longe. E por falar em orixá, descobri, aqui em Salvador, que sou filha de Oxalá, equivalente a Jesus Cristo na religião Católica. Afê... Tô me sentindo a rainha da cocada preta. Jesus tenha piedade...rs.


Meus pretinhos.


Eu e Tatá encarando a melhor moqueca de peixe com camarão que já comemos na vida, lá no restaurante Iemanjá.



Companheiros de viagem.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Poesia visual


A máquina clicando o céu... (Ontem, final de tarde, Rodovia Fernão Dias, Sul de Minas Gerais).


O que você vê?


Crepúsculo dos deuses


Crepúsculo dos deuses II

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Moska genial




A idéia era que eu postasse esse vídeo ontem, dia 31 de dezembro e, portanto, último dia do ano. Mas eu estava num lugar cuja conexão era péssima e foi impossível realizar meu intento... Na verdade, já faz um tempão que eu estava querendo inserir uma música do Paulinho Moska aqui no blog. Gosto muito dele como cantor, compositor e apresentador. Aliás, no programa Zoombido, que vai ao ar no Canal Brasil, Moska se mostra como um entrevistador raro, interferindo minimamente nas falas/respostas de seus convidados e demonstrando um interesse genuíno por suas histórias. Uma qualidade cada vez mais escassa entre muitos figurões do ramo jornalístico, por exemplo.

Mas, voltando ao tema principal dessa postagem, a letra de Último dia, disponível no vídeo acima, é perfeita pra gente refletir sobre o tempo e o modo como nós o usufruímos. Uma ótima pedida para um ano que está apenas começando.

Abaixo, vemos o vídeo de outra música do Moska (pela qual sou apaixonada desde a primeira vez em que a ouvi). É A Seta e o alvo. Acho a letra genial, assim como a de Último dia. Enfim, adoraria ter escrito as duas. Adoraria...