segunda-feira, janeiro 07, 2008

Bandeiras para Manuel


A benção, meu bom Manuel!
A benção, meu nobre Senhor...
Aqui estou com os textos teus,
Rezando com grande fervor.
A benção, senhor Manuel!
Que o teu Recife é o esplendor
E o lindo São João da tua infância?
Fogueira a iluminar teu avô!
A benção, senhor Manuel!
Jogai as graças sobre mim!
Cobri-me com tua memória
Teus sonhos, desejos de outrora...
A benção, senhor Manuel!
Meu peito apertado... Sentindo
Teu desespero, teu pavor!
As noites de tosse e de medo...
Hemoptises, frio e terror...

A benção, senhor Manuel!
Os teus meninos carvoeiros,
Os sapos enfunando os papos,
Momento eterno num café...
E Irene – que é boa demais!
Poética, grito, sussurro!
O desencanto desses versos...
Fraquezas no pulmão do mundo!

A benção, senhor Manuel!
Com tua expressão ao sorrir...
E esse piano na face?
(Tocando um tango sem disfarce!)
E assim foi adiando a vida...
E assim foi postergando o amor...
Poeta das Cinzas das Horas,
Um mestre nas rimas da dor.

A benção, senhor Manuel!
Da Lira dos cinqüenta anos,
Do tom dessa Libertinagem,
Da vida abortando os seus sonhos...
Em tua Pasárgada mítica
Espero um dia te encontrar!
Pra então agradecer a benção
E meu grande amor revelar.
Em vida disseste que os corpos
Se entendem, mas, as almas, não!
E quero explicar-te, em sussurro,
Que tudo isso é confusão!
Engano do grande poeta...
Tristeza, mágoa, temor.
De se entregar de corpo e alma,
De acreditar no meu amor!
E aqui concluo essa oração,
Poema, canção e louvor,
Renovo meus votos e afirmo:
“Minh’alma
Se entende com tua,
Senhor!”

Goimar Dantas
Japi (sertão do Rio Grande do Norte)
07-01-2008

2 comentários:

Ana disse...

Que lindo!
Adoro Bandeira e adorei sua homenagem. Quanto medo sentia esse Manuel, quanto medo!

beijão,
Ana (uma das "Meninas de lá")

Ps: desculpe a minha intromissão...rs!

Anônimo disse...

Só uma poetisa tão densa e sensível poderia fazer tanta e tão profunda intertextualidade, provavelmente sem se dar conta disso, pois seus versos são poesia pura, sem preocupação técnica. Espontaneidade total.
Seus versos jorraram com tal beleza, com tal simbiose de textos e títulos, tão naturalmente encaixados, numa seqüência de tal natureza que colocou homenageante e homenageado na mesma grandeza!
Bandeira merecia uma homenagem assim, por inteiro, e você o fez em versos ligeiros, densos, em verdadeira simbiose mesmo. O resultado: você nos faz ampliar esse 'amar' o Bandeira sobre todas as coisas e também profundamente apreciar essa extraordinária poetia que é você, Goimar.
Prof. Leo Ricino