quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Diário de bordo







Vou poetando
Durante a vida
No mar aberto
E no sertão
Vou viajando
Pelas palavras
Às vezes desço
Nessa estação
O trem me espera
Já vou partir
Nas minhas rimas
Devo seguir
No sempre em frente
Dessa toada
Não temo seca
Nem invernada
Estou exposta
Nessa fronteira
Cheia de idéias
E confusões
Flerto com o tempo
Que é meu amigo
Me deito sempre
Com as ilusões
Nas madrugadas
Procuro estilos
Mas eles teimam
Em me afrontar
E nessa luta
Brava de foices
Termino sempre
Por me cansar
Mas vou lutando
Aprimorando
Quem sabe um dia
Eu chegue lá
Desço do trem
Vou de avião
E lá vai texto
Lá vem refrão
E quando vejo
Fica faltando
Só mais um porto
Barco sem chão
E então navego
Por oceanos
Seguindo o Norte
Do coração
E só então
Tenho certeza
Que a poesia
Já vai chegar
Minha alma canta
Vira uma festa
Minha alegria
Já não tem par
Tudo inebria
Tudo me encanta
Já não preciso
Mais esperar
Me arrumo toda
Passo perfume
Posso senti-la
Ao respirar
É a inspiração
Que eu procurava
E que eu acabo
De ver chegar

Goimar Dantas
São Paulo
25-01-08

2 comentários:

Leandro Rodrigues disse...

Belo texto.
Reflete bem a angústia de um escritor que procura um tema, que sempre surge de forma inesperada.
Gostei muito.

poesia potiguar disse...

Oi, Leandro!

Muito obrigada! A temática da "inspiração" está realmente muito presente em meus textos. Gosto de refletir sobre ela, mas entendo perfeitamente que a madame é apenas uma parte ínfima de todo o processo da escrita... Costumo dizer aos amigos que "receber" o texto é fácil. Difícil é o esforço de lapidá-lo, de torná-lo um filho legítimo de razão e da emoção. Mas, como eu disse no poema, "Quem sabe, um dia, eu chegue lá".

Foi um prazer tê-lo por essas bandas. Apareça! Você é meu convidado, sempre!