terça-feira, fevereiro 26, 2008

Para o João



Seu Rosa não trouxe a rosa.
Essa eu peguei no jardim.

Seu Rosa trouxe a Vereda,
caminho, estrada sem fim.

Seu Rosa me deu neblina,
vestida de Diadorim.

Seu Rosa me deu Sertão,
vastidão dentro de mim.

Seu Rosa me fez olhar
no vão da filosofia.

Seu Rosa foi meu tutor,
meu instrutor e meu guia.

Seu Rosa é literatura.
Seu Rosa é mais que poesia.

Seu Rosa é nova linguagem
Seu Rosa é signo e é ar.

Seu Rosa é mais que palavra
Seu Rosa é chão para andar.

Seu Rosa é o meio do rio,
a margem e o pé de serra.

Seu Rosa é luz da fogueira.
Seu Rosa é linda quimera.

Seu Rosa é todo idioma,
dialeto sem fronteira.

Seu Rosa é todo o quintal.
Seu Rosa é a terra inteira.

Seu Rosa é religião,
fervor e fé na palavra.

Seu Rosa é minha oração
direção dessa jornada.

Seu Rosa é ódio, vingança
e um poço cheio de amor.

Seu Rosa é tudo, é “nonada”.
Seu Rosa é matéria em flor.

Seu Rosa é a diplomacia.
Seu Rosa é noite e é dia.

Seu Rosa é a força do verbo.
Minha Bíblia e Evangelho.

Seu Rosa é a eternidade.
Seu Rosa, em mim, é a saudade
do melhor livro que eu li
e do homem que eu nunca vi.

Goimar Dantas
São Paulo
24-02-08

Um comentário:

Marcel Cervantes ---- Um místico disse...

Meu Deus! Neste poema você viu Rosa como Riobaldo viu Diadorim!! Muito lindo mesmo!! Abraços!!